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China reduz compras e derruba exportações de carne bovina em setembro

Brasil soma 2,43 milhões de toneladas exportadas até o mês passado, enquanto receita acumulada cresce 14,1%

Fonte Agro|Kelly GodoyOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina até setembro de 2026, com receita acumulada de US$ 14,17 bilhões, um aumento de 14,1% em relação a 2025.
  • Houve uma forte redução nos embarques para a China, com queda de 93,2% no volume em setembro, impactando negativamente as exportações brasileiras.
  • Outros mercados, como Estados Unidos, Chile e Indonésia, registraram crescimento significativo nas importações de carne bovina brasileira, compensando parcialmente a queda nas exportações para a China.
  • A ABIEC está em diálogo com o governo para melhor distribuir as cotas de exportação para a China em 2027, visando otimizar o fluxo de embarques.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro Wenderson Araujo/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil

O Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026. O volume ficou praticamente estável na comparação com o mesmo período de 2025. Naquele período, o país embarcou 2,44 milhões de toneladas. Apesar da pequena queda de 0,5% no volume, a receita aumentou 14,1% no período.

As exportações movimentaram US$ 14,17 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. Em 2025, a receita havia alcançado US$ 12,42 bilhões. O resultado, entretanto, reflete a forte redução dos embarques para a China nos últimos meses.

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Exportações recuam em setembro

Em setembro, o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina. O volume caiu 35,1% em relação às 353,1 mil toneladas embarcadas em setembro de 2025. A receita também recuou e somou US$ 1,38 bilhão, queda de 27,6% sobre os US$ 1,90 bilhão registrados um ano antes.

Na comparação com agosto, porém, o volume caiu apenas 1,8%. A receita, por outro lado, cresceu 1,1%. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A entidade utiliza informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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China reduz compras de carne bovina brasileira

A principal pressão sobre as exportações veio da China, devido à salvaguarda em vigor no país. Em setembro, o mercado chinês recebeu apenas 12,9 mil toneladas de carne bovina brasileira. A receita alcançou US$ 75,2 milhões no mês. Na comparação anual, o volume caiu 93,2%. A receita também recuou 92,9%. Com isso, setembro encerrou um trimestre de menor fluxo para o mercado chinês.

Antes disso, o Brasil havia registrado embarques mais intensos durante o primeiro semestre. Em junho, as exportações chegaram a 317 mil toneladas, com receita de US$ 1,97 bilhão. Em julho, o volume caiu para 264 mil toneladas, enquanto a receita somou US$ 1,58 bilhão. Em agosto, os embarques recuaram para 233 mil toneladas, com receita de US$ 1,36 bilhão. Já em setembro, o país exportou 229 mil toneladas, com receita de US$ 1,38 bilhão.

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No início do ano, o Brasil havia exportado 264 mil toneladas em janeiro. A receita chegou a US$ 1,40 bilhão. Em fevereiro, os embarques somaram 267 mil toneladas e geraram US$ 1,44 bilhão. Em março, o país exportou 271 mil toneladas, com receita de US$ 1,48 bilhão. Em abril, foram 288 mil toneladas e US$ 1,72 bilhão. Em maio, os embarques alcançaram 297 mil toneladas, enquanto a receita chegou a US$ 1,83 bilhão.

Indústria busca alternativas à demanda chinesa

O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, relacionou o desempenho recente à redução das vendas para a China. Durante coletiva de imprensa em setembro, ele destacou a capacidade da indústria brasileira no primeiro semestre. Segundo Perosa, outros mercados ajudam a compensar parte da redução das vendas para a China.

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No entanto, esses destinos ainda não conseguem substituir automaticamente toda a demanda chinesa. “Passamos por três meses muito difíceis, julho, agosto e setembro, por não termos a possibilidade de vender normalmente para a China”, afirmou.

Estados Unidos ampliam compras

Em setembro, os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne bovina brasileira. O volume cresceu 389% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita alcançou US$ 313,8 milhões, alta de 333,8%.

O Chile também ampliou as compras e recebeu 19,4 mil toneladas. O volume cresceu 87,2%, enquanto a receita avançou 107,7%, para US$ 117,5 milhões. A Rússia importou 13,1 mil toneladas, alta de 20,5%. A receita chegou a US$ 66,5 milhões, crescimento de 40,2%.

Outros mercados também aumentam importações

A União Europeia recebeu 20 mil toneladas de carne bovina brasileira em setembro. A receita chegou a US$ 178,7 milhões no mês. Na comparação anual, o volume aumentou 29,7%. A receita avançou 34,7%. Os números, contudo, consideram a interrupção do fluxo de embarques para o bloco a partir de setembro. A mudança ocorreu após a entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

A Indonésia também ampliou as compras de carne bovina brasileira. O país recebeu 9,4 mil toneladas em setembro, alta de 822%. A receita chegou a US$ 33 milhões, crescimento de 642,2%. A Arábia Saudita importou 7,7 mil toneladas, aumento de 35,8%. A receita alcançou US$ 44,4 milhões, alta de 49,9%. A Turquia recebeu 5,9 mil toneladas, crescimento de 129,5%. O país gerou receita de US$ 34,8 milhões, avanço de 135,2%. Já o Canadá importou 4 mil toneladas, alta de 870,7%. A receita chegou a US$ 22,9 milhões, crescimento de 830,8%.

Mesmo com a queda China ainda lidera destinos no acumulado recente, a China continua como principal destino da carne bovina brasileira. Entre janeiro e setembro, o país recebeu 912 mil toneladas. As exportações geraram US$ 5,59 bilhões em receita no período. Na comparação com os nove primeiros meses de 2025, o volume caiu 20,9%. A receita também recuou, mas em menor intensidade, com queda de 7,8%. A China respondeu por 37,5% do volume e 39,4% da receita das exportações brasileiras no período.

Os Estados Unidos aparecem na sequência entre os principais destinos. O país recebeu 317,4 mil toneladas, crescimento de 45%. A receita chegou a US$ 2,08 bilhões, alta de 60,8%.

O Chile importou 126,7 mil toneladas, aumento de 38,2%. A receita alcançou US$ 768 milhões, crescimento de 54,4%. A Rússia recebeu 109,4 mil toneladas, alta de 28,6%. O mercado gerou US$ 531,8 milhões, crescimento de 45,7%.

Indonésia registra forte crescimento

A União Europeia acumulou 107,1 mil toneladas de carne bovina brasileira até setembro. A receita chegou a US$ 942,8 milhões. Na comparação anual, o volume cresceu 27%. A receita aumentou 37,9%. Esse resultado inclui o período anterior à interrupção do fluxo de embarques em setembro.

Entre outros mercados, a Indonésia registrou forte crescimento no acumulado. O país recebeu 64,7 mil toneladas, aumento de 294,8%. A receita alcançou US$ 179,7 milhões, crescimento de 136,1%.

A Arábia Saudita importou 57,7 mil toneladas, alta de 26,3%. A receita chegou a US$ 342,6 milhões, aumento de 56%.A Argentina recebeu 20,8 mil toneladas, crescimento de 101,5%. O mercado gerou US$ 95,1 milhões, alta de 147,6%.

A Turquia importou 20,6 mil toneladas, aumento de 31,9%. A receita alcançou US$ 121,5 milhões, crescimento de 57,4%. Já a Jordânia recebeu 17,8 mil toneladas, alta de 57,4%. A receita chegou a US$ 98 milhões, crescimento de 82,8%.

Indústria se prepara para nova cota chinesa

Com a proximidade do fim do ano, a indústria já se prepara para o próximo ciclo. O planejamento envolve as negociações e os embarques destinados à cota chinesa. A ABIEC mantém diálogo com o governo sobre alternativas para distribuir melhor a cota em 2027. Segundo Roberto Perosa, as empresas já conhecem as cotas previstas para o próximo ciclo.

Por isso, algumas companhias começam a programar vendas para a China entre outubro e novembro. O período também depende dos contratos firmados com os navios. A estratégia busca garantir a chegada dos produtos ao próximo ciclo da cota. A entidade também discute com o governo uma distribuição mais equilibrada dos embarques.

Carne in natura representa 85,1% dos embarques

A carne bovina in natura respondeu por 85,1% do volume exportado em setembro. O produto somou 195,2 mil toneladas, com receita de US$ 1,23 bilhão. Os miúdos representaram 16,3 mil toneladas e geraram US$ 39,2 milhões. Os produtos industrializados somaram 9 mil toneladas, com receita de US$ 85,3 milhões. As exportações de gorduras alcançaram 5,3 mil toneladas e US$ 12 milhões. As tripas somaram 3 mil toneladas, com receita de US$ 10,7 milhões. Já as carnes salgadas totalizaram 474 toneladas e geraram US$ 3,6 milhões.

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