25 anos depois: atentado do 11 de Setembro ainda dita como viajamos de avião
De portas reforçadas na cabine à inspeção de bagagens e restrição de líquidos, ataques transformaram a experiência de embarcar
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Passar a mala pelo raio-X, esvaziar os bolsos, tirar o cinto, separar líquidos e seguir por uma área de embarque cada vez mais controlada. Para quem viaja de avião hoje, esses procedimentos de segurança parecem parte da rotina, mas muitos deles carregam a marca de um processo iniciado há 25 anos, após o atentado às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001.
“Esta tragédia foi um divisor de águas para a aviação, porque os níveis de segurança tiveram que ser aumentados. Até hoje, sem sombra de dúvida, a experiência no aeroporto continua sendo influenciada por esse fato”, afirma Alexandre Faro, coordenador do curso Aviação da Universidade Anhembi Morumbi, que integra a Ânima Educação.
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Os ataques inauguraram uma nova lógica para a aviação mundial. Ainda em 2001, uma das principais mudanças foi o reforço da proteção das cabines de pilotagem, com portas mais resistentes e protocolos rígidos de acesso.
Nos anos seguintes, outras ameaças provocariam novas alterações: em 2002, episódios envolvendo explosivos escondidos em calçados ampliaram a atenção sobre sapatos durante as inspeções; em 2006, a descoberta de um plano envolvendo explosivos líquidos levou ao endurecimento das regras para líquidos transportados na bagagem de mão.
Ao longo desse processo, o passageiro passou a ser submetido a controles mais rigorosos, as bagagens ganharam novas camadas de monitoramento e a cabine dos pilotos deixou de ser um espaço que podia fazer parte da experiência da viagem para se tornar uma das áreas mais protegidas da aeronave.
“Antes do 11 de setembro, a cabine de pilotagem fazia parte de algo relacionado à experiência do voo. Era muito comum que crianças visitassem o local e pessoas aficionadas pela aviação fossem até lá e tirassem fotos”, conta Faro.
Depois dos ataques, nos quais os sequestradores assumiram o controle de quatro aviões comerciais, proteger o acesso aos comandos tornou-se prioridade. Portas reforçadas e protocolos rígidos de entrada passaram a integrar a segurança das aeronaves. “A cabine passou a ser algo inviolável”, acrescenta.
As mudanças não ocorreram de uma única vez. Em 2001, o 11 de Setembro colocou a proteção da cabine e o controle de acesso às aeronaves no centro das discussões. Em 2002, a tentativa de utilização de explosivos escondidos em sapatos aumentou o rigor sobre os calçados nos procedimentos de inspeção.
Quatro anos depois, em 2006, a descoberta de um plano para utilizar explosivos líquidos em aeronaves levou às restrições que ainda hoje afetam o transporte de líquidos na bagagem de mão.
Esse histórico ajuda a explicar a experiência de qualquer passageiro ao entrar no aeroporto, hoje, em 2026. Detectores, scanners, inspeções de bagagem e restrições a determinados objetos formam uma sucessão de barreiras construídas ao longo de diferentes episódios para reduzir vulnerabilidades. “Houve um aumento no rigor da inspeção dos passageiros e a área de embarque passou a ser muito mais vigiada”, afirma Faro.
Triagem, controle, monitoramento
Parte importante desse sistema funciona sem que quem viaja perceba. Segundo Faro, a segurança aérea pode ser observada em quatro frentes complementares: triagem de passageiros, controle de bagagens, monitoramento das áreas operacionais dos aeroportos e acompanhamento das aeronaves.
A primeira camada está diretamente relacionada ao passageiro, com procedimentos de identificação, inspeção e controle antes do acesso à área restrita. A segunda envolve as bagagens. As malas despachadas são associadas a cada viajante e acompanhadas durante o percurso até a aeronave.
Se algo suspeito for identificado durante a inspeção, a bagagem pode ser separada para uma verificação adicional.
A terceira frente está no próprio aeroporto. O chamado “lado ar” (região operacional que inclui pátios e áreas próximas às aeronaves) passou a ter acesso controlado e monitorado. A quarta ocorre também depois da decolagem: durante o voo, dados operacionais das aeronaves são transmitidos e acompanhados pelas companhias aéreas.
Na prática, essas quatro camadas funcionam de maneira integrada. Enquanto algumas são visíveis ao viajante, como raio-X, scanners e inspeções, outras acontecem nos bastidores e ampliam o controle desde a entrada no aeroporto até a operação da aeronave.
Novas formas de ameaça
Para Faro, talvez um dos principais legados desse período seja justamente a compreensão de que a segurança da aviação nunca está definitivamente pronta. Conforme a tecnologia evolui, novas formas de ameaça podem aparecer e exigir outras respostas.
“Isso vai acontecer ao longo da história da aviação. É uma coisa viva e constante, porque as ameaças nunca estarão totalmente identificadas. Na medida em que há evolução da tecnologia, também pode haver evolução nas formas de ataque e de terrorismo”, analisa.
Para o passageiro, toda essa proteção também transformou a experiência de viajar. Filas para inspeção, scanners, raio-X e verificações adicionais tornaram o embarque mais demorado e complexo do que era antes de 2001. “É necessário? Sim, mas a experiência dentro do aeroporto para o passageiro ficou muito mais cansativa”, avalia.
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