Chefe da Emirates diz que os jatos da Boeing atrasados só servem para latas de feijão
Tim Clark afirmou que lote inicial de 10 jatos precisou de tantas alterações para ser modernizado que se tornou inadequado para o uso

Não bastasse a enorme crise instalada com os sucessivos atrasos no desenvolvimento do projeto 777X. Em novo revés, a Boeing enfrenta agora uma crítica ácida e pública de um de seus maiores clientes do novo jato. A Emirates anunciou que se recusaria a receber um pacote de 10 aeronaves, alegando que os jatos, que já estavam bastante atrasados, “seriam mais úteis se fossem transformados em latas de feijão”.
A declaração de Tim Clark, presidente da Emirates Airline, foi dada ao The Telegraph na segunda-feira (20) durante a feira de Farnborough.
“Eles esperaram tanto tempo, e o projeto mudou tanto, que atualizá-las para os padrões atuais não faz mais sentido”.
A companhia aérea de Dubai encomendou um total de 270 novos aviões 777X da Boeing, a um custo de US$ 440 milhões (R$ 330 milhões) cada, com a primeira aeronave construída em 2019. No entanto, repetidos atrasos decorrentes de modificações no projeto fizeram com que a Emirates ainda aguardasse as aeronaves sete anos depois.
Tim Clark, presidente da Emirates, afirmou que o lote inicial de 10 jatos precisou de tantas alterações para ser modernizado que se tornou inadequado para o uso.
“Não vamos aceitar esse lote e ponto final”, disse ele ao The Telegraph no Farnborough International Airshow. “No que nos diz respeito, o que eles fizerem com eles é problema deles.”
Clark disse que entendia que a Boeing estava tentando encontrar um destino para a aeronave, antes de acrescentar: “A Heinz estaria interessada – latas de feijão enlatado.”
Sua recusa em embarcar nos aviões representará um novo revés para a Boeing , que vem sendo abalada por uma série de crises de segurança nos últimos anos.
O 777X sofreu inúmeros problemas que atrasaram sua entrada em serviço de 2020 para o próximo ano, no mínimo.
“As modificações na estrutura da aeronave foram muito significativas desde os primeiros voos”, disse ele. “E não se esqueça que também tivemos uma falha no teste estático”, disse Clark, se referindo a setembro de 2019, quando a fuselagem de um 777X, durante testes de resistência em solo em Everett, apresentou falha com cerca de 99% da carga máxima. O revestimento de alumínio sob a fuselagem central cedeu e rompeu, a cabine sofreu despressurização explosiva e uma porta de passageiros se desprendeu da aeronave — motivo pelo qual o incidente foi amplamente divulgado na época como uma falha de porta. Como a fuselagem atingiu 99% da carga exigida, nenhum novo teste foi solicitado.
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