Sem saber que microfone estava aberto, piloto xinga comissários e é ouvido por todos a bordo
Passageiros relataram que o piloto proferiu três palavrões enquanto tentava contatar os comissários
Tudo corria bem até que o voo da UA-2023 da United Airlines que saiu da Cidade do Cabo, na África do Sul, se preparava para pousar em Washington Dulles, nos Estados Unidos. Foi então que um dos pilotos, aparentemente achando que estava usando o sistema privado de comunicação interno da aeronave, acionou os comissários.
-“Alô, alô”.
Na verdade, seu interfone estava direcionado à toda a cabine de passageiros. Sem resposta, e com todos a bordo ouvindo, ele desabafou, se referindo aos comissários:
“Que bando de idiotas do c...! Eles não atendem o telefone”.
A cabine ficou em silêncio. Muitos tentando entender o que estava acontecendo.
Os comissários teriam tentado - sem sucesso - alertar a cabine de comando. Ainda de acordo com os relatos, o microfone teria ficado aberto por cerca de 7 minutos enquanto mais de 250 passageiros ouviam os pilotos na cabine de comando. De acordo com passageiros, estarrecidos, o piloto ainda soltou mais dois ou três palavrões para se referir aos comissários enquanto a mensagem “Anúncio em andamento” permaneceu exibida em suas telas de entretenimento durante o restante do voo. Os comissários pediram desculpas pelo problema com o sistema de som. Os pilotos, não.

“Desde que a porta reforçada da cabine de comando se tornou padrão após o 11 de setembro, o interfone se tornou a principal conexão entre as duas tripulações. Os comissários de bordo são os “olhos, narizes e ouvidos” da cabine de comando. São eles que primeiro veem fumaça, sentem cheiro de queimado, ouvem um ruído anormal, identificam uma ameaça à segurança dos passageiros ou reconhecem uma emergência médica", afirma Gary Leff, do site View From The Wing.
“Você quer que eles se sintam à vontade para contatar a cabine de comando — mesmo quando não tiverem certeza se o que estão vendo é importante. Um piloto que os trata como idiotas torna isso menos provável. A hesitação ou relutância de um comissário de bordo em contatar a cabine de comando pode ter sérias repercussões. Isso faz parte do Gerenciamento de Recursos da Tripulação — garantir que o status e o ego não impeçam que informações importantes circulem entre a tripulação”, complementa Leff.
Após 15 horas de voo, a paciência pode se esgotar. Voos de longa duração são cansativos mesmo com uma tripulação de cabine reforçada e pausas programadas. Isso torna o profissionalismo ainda mais necessário. Não é uma desculpa.
Aqui, uma gafe de sete minutos no sistema de som parece engraçada. Chamar os colegas de “idiotas do car...” porque estavam realizando tarefas de pouso, e podem nem ter recebido o chamado, é problemático, finaliza Leff.
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