Integração entre tecnologia, mobilidade e eficiência redefine o agronegócio
O foco deixa de ser o equipamento isolado e passa a considerar soluções completas

Não há mais agronegócio sem integração entre tecnologia, mobilidade e eficiência operacional. Durante a Tecnoshow COMIGO 2026, realizada neste mês em Goiás, essa transformação ficou evidente não apenas nas máquinas expostas, mas também no discurso das empresas que atuam em diferentes frentes da cadeia produtiva.
O foco deixa de ser o equipamento isolado e passa a considerar soluções completas, que envolvem conectividade, redução de custos e sustentabilidade.
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No campo, a presença crescente de tecnologias embarcadas, sistemas de monitoramento e suporte remoto tem permitido ao produtor acompanhar a operação em tempo real, antecipar falhas e tomar decisões mais precisas.
Ao mesmo tempo, a eletrificação começa a ganhar espaço, especialmente em aplicações que exigem alta utilização e maior controle de custos.
Esse movimento também reflete um novo perfil de produtor rural — mais orientado por dados, mais atento à eficiência e aberto à incorporação de tecnologias que tragam previsibilidade ao negócio.
Para entender esse cenário, o Mundo Agro conversou com Marcelo Tinti, CEO da Divisão Comércio do Grupo Águia Branca; Uarley Souza, gerente regional de Vendas Diretas da Vitória Motors BYD; e Daniel Maciel Lacerda, gerente-geral comercial de Processos da Azul Agro.
Mundo Agro: Como a Divisão Comércio do Grupo Águia Branca conecta inovação no agro e mobilidade sustentável em sua estratégia?
Marcelo Tinti: A Divisão Comércio do Grupo Águia Branca pauta sua atuação na integração entre inovação, eficiência operacional e sustentabilidade. No cenário do agronegócio, isso se traduz na oferta de soluções de mobilidade alinhadas às novas demandas do setor, cada vez mais orientado por tecnologia e responsabilidade ambiental.
A nossa estratégia está centrada na incorporação de tecnologias que promovam maior eficiência energética, redução de emissões e otimização de processos logísticos. Dessa forma, buscamos contribuir para a evolução do agro brasileiro, ao apoiar produtores e parceiros com soluções que agregam valor e sustentabilidade às suas operações.

Mundo Agro: De que forma a presença conjunta de Azul Agro e BYD reforçou o posicionamento da Divisão na Tecnoshow?
Marcelo Tinti: A participação conjunta de Azul Agro e BYD na Tecnoshow Comigo evidencia a atuação integrada da Divisão Comércio do Grupo Águia Branca e reforça seu posicionamento estratégico no setor.
A presença das marcas no evento, nos permitiu demonstrar, a combinação entre proximidade com o cliente do agro e a oferta de soluções inovadoras em mobilidade sustentável. Essa integração ratifica o nosso compromisso em atuar de maneira consistente, oferecendo um portfólio alinhado às transformações do mercado e às necessidades do campo.
Mundo Agro: O agro está cada vez mais tecnológico. Como o grupo enxerga essa transformação nos próximos anos?
Marcelo Tinti: A Divisão Comércio do Grupo Águia Branca acompanha de forma atenta a evolução tecnológica do agronegócio. A tendência é de um setor cada vez mais orientado por dados, automação e soluções sustentáveis, com impactos diretos na produtividade e na competitividade global.
Nesse contexto, a mobilidade tende a evoluir em paralelo, ao incorporar tecnologias mais limpas e eficientes. Nós atuamos como parceiros desse movimento, estamos preparados para contribuir com soluções que atendam às novas demandas do agro, sempre pautada pela inovação, pela sustentabilidade e pelo compromisso com o desenvolvimento de longo prazo.

Mundo Agro: Como a mobilidade eletrificada pode se integrar à realidade do agronegócio?
Uarley Souza: A eletrificação já começa a se conectar de forma bem prática com o agronegócio, principalmente quando a gente fala de eficiência e redução de custos. No campo, onde os veículos rodam muito e percorrem grandes distâncias, os modelos híbridos e elétricos ajudam a diminuir o consumo de combustível e o custo por quilômetro.
Outro ponto importante é a recarga dentro das próprias propriedades. Muitas já têm geração de energia solar, o que cria um cenário favorável, trazendo mais autonomia e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Isso acaba alinhando produtividade e sustentabilidade.
Além disso, a manutenção tende a ser menor, já que são veículos com menos componentes sujeitos a desgaste, o que impacta diretamente na operação do dia a dia.
Mundo Agro: Qual é o potencial das picapes híbridas, como a BYD Shark, para o uso no campo?
Uarley Souza: As picapes híbridas plug-in representam um avanço importante porque unem força e autonomia. É o melhor dos dois mundos.
A BYD Shark, por exemplo, entrega potência, tração integral e torque instantâneo, essenciais para estrada de terra, terrenos mais difíceis e transporte de carga. Ao mesmo tempo, permite rodar no modo 100% elétrico em deslocamentos mais curtos, o que reduz custos e emissões.
Outro diferencial é a tecnologia embarcada, que traz mais segurança e controle, além da possibilidade de usar o veículo como fonte de energia. Isso amplia bastante o uso no ambiente rural.
No fim, ela deixa de ser só um veículo e passa a ser uma ferramenta dentro da operação.
Mundo Agro: O produtor rural já está mais aberto à eletrificação? O que tem mudado nesse perfil?
Uarley Souza: Sim, isso já é bem claro. O produtor está mais profissional, mais orientado por dados e muito focado em eficiência e previsibilidade.
Hoje, a decisão de compra passa menos por tradição e mais por resultado. Com isso, a eletrificação deixa de ser algo distante e passa a ser vista como uma alternativa estratégica.
A nova geração também influencia bastante, porque já tem uma relação mais próxima com tecnologia e sustentabilidade. Existe uma preocupação não só com custo, mas também com inovação e posicionamento do negócio.
E a experiência prática tem ajudado a quebrar resistências, principalmente em relação à autonomia e ao desempenho no campo.
Mundo Agro: Quais fatores têm impulsionado o crescimento da marca na região?
Uarley Souza: Esse crescimento vem de um conjunto de fatores. O primeiro é o portfólio, que está alinhado com o que o cliente precisa hoje, tanto no uso urbano quanto em aplicações mais exigentes.
Também existe um momento de mercado favorável, com uma busca maior por soluções mais eficientes, impulsionada pelo aumento dos custos de combustível.
E a proximidade com o cliente faz muita diferença. A presença em eventos e a atuação regional ajudam a mostrar, na prática, como as soluções funcionam.
Além disso, o fortalecimento da rede, o pós-venda estruturado e a confiança na tecnologia têm sido fundamentais para acelerar esse processo.

Mundo Agro: Como a Azul Agro tem adaptado seu portfólio às novas demandas do produtor rural no Centro-Oeste?
Daniel Lacerda: A Azul Agro vem ampliando a capilaridade e o atendimento para ficar mais próxima do produtor. Ao mesmo tempo, integra as operações de máquinas, peças, serviços e soluções de agricultura de precisão.
Quando a gente olha para máquinas, existe um trabalho cada vez mais próximo com a fábrica e também com associações, justamente para desenvolver soluções que atendam às necessidades reais do cliente, principalmente os desafios do dia a dia.
E isso faz ainda mais sentido no Centro-Oeste, que hoje é uma região muito exigente em produtividade, conectividade, redução de custos e disponibilidade operacional. Tudo isso passa não só pelas máquinas, mas também por peças, serviços e pelas soluções de agricultura de precisão, que contribuem diretamente para o aumento de produtividade.
Mundo Agro: De que forma a integração entre máquinas, tecnologia e suporte técnico impacta a produtividade no campo?
Daniel Lacerda: De forma bem objetiva, essa integração impacta diretamente em três pontos: menos parada, decisões mais rápidas e uma operação mais eficiente.
Com conectividade, telemetria e gestão de frota, além do suporte remoto, o produtor consegue acompanhar a operação praticamente em tempo real, junto com a concessionária. A partir dos alertas que a própria máquina gera, é possível antecipar ajustes e fazer uma manutenção preditiva com base nesses sinais.
Isso reduz perdas justamente nos momentos mais críticos da safra, quando cada detalhe faz diferença.
Mundo Agro: Quais são os principais diferenciais da colheitadeira CR7 Plus em relação às demandas atuais do produtor?
Daniel Lacerda: Para responder isso, é importante começar pelas próprias demandas do produtor. Hoje, ele também é pressionado pelo cliente final, o comprador do grão, que está cada vez mais exigente em relação à qualidade, muitas vezes já definida em contrato.
A CR7 Plus vem justamente para atender esse cenário, com foco na qualidade de colheita. Ela traz sistemas de inteligência embarcada e monitoramento que ajudam o operador a melhorar a performance da operação.
Um exemplo é o IntelliSense, que faz regulagens automáticas da máquina com base nas condições da colheita, usando sensores para identificar carga de material e possíveis perdas, ajustando parâmetros para reduzir essas perdas e melhorar a qualidade.
Outro recurso é o IntelliCruise, que ajusta automaticamente a velocidade de avanço conforme as condições da lavoura, auxiliando o operador no dia a dia.
Além disso, tem o FieldOps, que permite acompanhar toda a operação e a frota em tempo real, pelo computador, tablet ou celular. Isso também envolve a concessionária, que pode atuar de forma mais consultiva e até preventiva, entrando em ação quando a própria máquina identifica algum possível problema.
Mundo Agro: O produtor hoje busca mais do que equipamento. Como a Azul Agro tem trabalhado esse conceito de solução completa?
Daniel Lacerda: A proposta da Azul Agro é sair da lógica de venda isolada e atuar no ciclo completo da operação.
Isso envolve máquina, tecnologia, peças, assistência e, também, o acompanhamento técnico. A empresa já se posiciona dessa forma, com um portfólio completo que inclui telemetria, equipe de precision planning e tecnologias de precisão em todas as linhas.
Além disso, há um investimento forte em proximidade com o cliente, inclusive com a abertura de novas concessionárias em regiões onde antes não havia uma unidade tão próxima. Isso traz mais agilidade no atendimento.
No fim, o objetivo é garantir mais previsibilidade e melhores resultados para o produtor, acompanhando todas as etapas da operação.
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