Logo R7.com
RecordPlus

Professor conquista prêmio inédito para a confeitaria brasileira

Hallyson Cezar foi eleito o melhor confeiteiro das Américas durante congresso da CIPAN, realizado no México

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

  • Google News
Hallyson Cezar, professor e técnico do IDPC, escola do Sampapão Foto cedida: Sampapão

A conquista de um prêmio internacional por um confeiteiro brasileiro ajuda a iluminar um movimento maior: o avanço técnico e profissional da confeitaria no país. Por trás do reconhecimento, está uma trajetória construída na base — entre madrugadas de produção, formação técnica e disciplina cotidiana.

Professor do IDPC, escola ligada ao Sampapão, Hallyson Cezar foi eleito o melhor confeiteiro das Américas durante congresso da CIPAN, realizado no México — um reconhecimento inédito para o Brasil.


A trajetória, que começou no balcão de uma padaria, revela mais do que uma conquista individual. Mostra como formação, persistência e acesso ao conhecimento técnico têm reposicionado profissionais brasileiros no cenário internacional.

O Mundo Agro conversou com Hallyson Cezar, que detalhou os desafios da carreira, o papel da formação técnica e os próximos passos após a conquista internacional.


Hallyson Cezar, professor e técnico do IDPC, escola do Sampapão Foto cedida: Sampapão

Mundo Agro: Como foi sair do balcão de padaria até chegar ao reconhecimento internacional?


Hallyson Cezar: Minha trajetória começou há muitos anos, quando eu não tinha experiência, e foi ali que tudo ganhou sentido. No começo era sobre trabalho, aprender o básico, entender o ritmo, respeitar o processo, horário, produção. Você aprende que antes de qualquer técnica sofisticada existe compromisso com aquilo que entrega.

Teve bastante desafios, cansaço, limitações, profissionais que não queriam compartilhar o conhecimento dele comigo. Mas a curiosidade e a vontade de aprender falaram mais alto, e fui buscar entender o porquê das coisas.


Estudar, fazer cursos, e buscar o meu desenvolvimento profissional. Fiz um curso técnico na escola IDPC (Instituto do Desenvolvimento de Panificação e Confeitaria) e foi aí que a profissão deixou de ser só prática e virou conhecimento.

Hoje trabalho como professor de panificação e confeitaria na escola IDPC, onde aprendi muito, consegui muito destaque e foi onde a confeitaria levou meu nome, e o da confeitaria brasileira, para outros lugares, outros países.

O reconhecimento internacional é consequência desse caminho. Não nasce no prêmio, nasce muito antes, nas madrugadas de produção, na disciplina diária, na busca por excelência mesmo quando ninguém está vendo. Grandes trajetórias começam em lugares simples, com decisões constantes.

Mundo Agro: Qual foi o momento mais difícil da sua carreira e como você superou?

Hallyson Cezar: Na minha carreira profissional já tive vários momentos marcantes, não só glamour. A realidade cotidiana requer muita responsabilidade, precisamos superar desafios diariamente, liderar por exemplo, ensinar e inspirar pessoas, e também cuidar de nós mesmo.

Um momento que marcou muito foi quando eu tive um câncer, e de cara fiquei sem chão, não sabia como ia ser minha vida a partir daquele momento, mas tinha que seguir.

E então foquei mais ainda no meu trabalho, para que assim eu conseguisse forças para esquecer um pouco do problema e continuar a viver. Somando com todo apoio da família, amigos, colegas de trabalho, Nossa Senhora de Aparecida e Deus, venci mais esse desafio e hoje sou curado, graças a Deus.

Mundo Agro: O que te motivou a seguir na confeitaria desde o início?

Hallyson Cezar: No começo o que me motivou foi a necessidade, pagar aluguel, honrar compromissos e aprender um ofício para construir uma carreira. Mas, com o tempo, isso mudou. Passei a gostar muito da panificação e confeitaria e observei que seria uma área em que eu poderia me desenvolver, ter uma profissão e sucesso. Mas isso precisaria de dedicação, esforço, amor, e constância com o seu propósito.

Mundo Agro: O que esse título de Melhor Confeiteiro das Américas representa para você pessoal e profissionalmente?

Hallyson Cezar: Ser eleito o melhor confeiteiro das Américas 2025 é o reconhecimento da minha dedicação, paixão e técnica. Carrego esse marco de ser o primeiro brasileiro a ganhar esse prêmio internacional. É uma responsabilidade enorme, acredito que é uma oportunidade de inspirar alunos e profissionais a seguirem firmes com os seus sonhos, e elevar o padrão da confeitaria. E, sim, foi um sonho meu realizado, uma conquista que me marcou muito e me deixou muito orgulhoso da minha trajetória com a panificação e confeitaria.

Mundo Agro: Como foi a experiência de participar do congresso da CIPAN no México?

Hallyson Cezar: Foi um marco estar em um congresso que reúne profissionais de vários países das Américas, trocando experiências, visão de mercado e inovação, te coloca em outro nível de percepção sobre a profissão. Você vê novas técnicas, diferentes culturas de produção, e isso mexe com qualquer profissional. E também foi a confirmação que o caminho construído até aqui fez muito sentido. Agradeço a CIPAN por este papel de integração e fortalecimento da panificação e confeitaria no continente, e o congresso no México reforçou isso de forma muito forte.

Mundo Agro: Quais habilidades você considera essenciais para quem quer se destacar na confeitaria?

Hallyson Cezar: Para se destacar na panificação e confeitaria precisa de dedicação diária, prática constante e paciência. O amor pelo que se faz é o que mantém a motivação diante de desafios e longas jornadas. Aprenda sempre, desenvolva disciplina e organização, inspire, colabore e venha fazer cursos aqui na escola IDPC.

Mundo Agro: Como você vê a evolução da confeitaria brasileira nos últimos anos?

Hallyson Cezar: Hoje eu enxergo a confeitaria brasileira vivendo um dos momentos mais importantes da sua história. Ela deixou de perder espaço e começou a ocupar espaço com autoridade. O Brasil vem evoluindo tecnicamente e hoje há profissionais brasileiros competindo fora e ganhando prêmios. O Brasil está muito perto de ser reconhecido como referência na confeitaria.

Mundo Agro: Qual conselho você daria para alunos que querem seguir carreira na área?

Hallyson Cezar: Aprendam a base antes de buscar algo muito sofisticado, respeitem o processo e o tempo, errem sem medo, mas aprendam com o método. Sejam humildes, pois quem acha que sabe tudo para de crescer. Não tenham pressa de chegar, mantenham a constância.

Mundo Agro: Quais são seus próximos objetivos após esse prêmio?

Hallyson Cezar: Quero construir uma assinatura reconhecida, representar o Brasil em competições nacionais e internacionais. E participação mais ativa como referência (jurado, mentor, embaixador). Quero ser lembrado como alguém que mudou o nível da confeitaria brasileira, quero continuar em busca de mais experiência em outros países, mostrar o meu trabalho e história nas televisões. E agora em busca de mais um sonho que é o mundial!

Mundo Agro: Que tendências você acredita que vão marcar o futuro da confeitaria?

Hallyson Cezar: Como diz o ditado, o menos é mais, acredito que o futuro da confeitaria será marcado menos pelo excesso e mais pela intenção. O mercado valoriza muito o visual, como doces grandes e carregados, isso ainda existe, mas o consumidor está mudando. Hoje ele quer experiência completa e não só impacto visual. Na minha visão, a grande força do futuro da confeitaria está na identidade e técnica, e isso é muito bom para o Brasil, pois somos um país muito grande e com uma diversidade de produtos e ingredientes enorme.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.