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Acordo do Mercosul amplia concorrência no mercado de vinhos no Brasil

Medida prevê redução gradual de impostos e maior acesso a rótulos europeus

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Acordo amplia concorrência no mercado de vinhos no Brasil Foto cedida: ProWine São Paulo

A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia deve alterar o mercado de vinhos no Brasil. A redução gradual das tarifas tende a ampliar a presença de rótulos europeus, com impacto em preços e concorrência.

“A ratificação do acordo UE-Mercosul promete redesenhar as forças do setor vitivinícola no Brasil. O cenário atual, onde a América do Sul lidera com 59% contra 40% da Europa, sofrerá pressão direta com a queda gradual de impostos. Portugal, consolidado como terceiro maior destino das suas exportações para o Brasil, deve desafiar a hegemonia chilena no segmento de ‘primeiro preço’”, explicou, Felipe Galtaroça, CEO da Ideal BI Consulting.


Para entidades internacionais, o movimento também abre oportunidades.

“No contexto específico do Brasil, trata-se de um mercado estratégico para os Vinhos de Portugal, que atualmente detêm cerca de 16% de quota de mercado. Ainda há um amplo espaço para crescimento, sobretudo considerando o baixo consumo per capita de vinho no país. A redução de tarifas poderá viabilizar a oferta de produtos em faixas de preço mais competitivas, ampliando o acesso a novos consumidores”, disse Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal.


Redução de tarifas deve impactar preços, ampliar oferta e acirrar concorrência Foto cedida: ProWine São Paulo

Na prática, a expectativa é de maior competição, inclusive no segmento premium.

“No nicho de vinhos premium, a tendência é uma oferta ainda mais agressiva de regiões tradicionais como Borgogna, Bordeaux e Piemonte. Além do ganho de mercado, o acordo surge como um alívio necessário para a rentabilidade dos importadores e distribuidores, permitindo o ajuste de margens que foram comprimidas pela volatilidade do câmbio e pela inflação nos últimos períodos”, ponderou Galtaroça.


Essa nova fase intensifica a disputa entre produtores sul-americanos e europeus.

“De uma perspectiva empresarial mais otimista, o acordo traz consigo uma oportunidade crucial para o mercado interno: o acesso a insumos de qualidade a preços internacionais. A importação de barris, rolhas e tecnologia de vinificação com menos barreiras tarifárias permitiria que as vinícolas locais melhorassem sua eficiência e qualidade, o que, paradoxalmente, fortaleceria sua posição nas prateleiras argentinas. O consumidor local tem uma forte ligação cultural com nossas variedades de uva e regiões, o que funciona como uma barreira natural contra os estilos europeus que, embora prestigiosos, são desconhecidos para o paladar argentino médio”, analisou Magdalena Pesce, CEO da Wines of Argentina.


Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo Foto cedida: ProWine São Paulo

Diante desse cenário de reconfiguração do mercado, a ProWine São Paulo 2026 ganha protagonismo como espaço estratégico para negócios e posicionamento das marcas.

“Em 2026, a ProWine São Paulo chega a uma edição especialmente relevante, em um momento em que a América do Sul ganha ainda mais atenção no cenário global. A feira é a melhor plataforma para quem quer fazer negócios na região, entrar no mercado ou ampliar sua presença, seja para crescer, seja para defender seu espaço”, disse Malu Sevieri, diretora da feira.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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