As soluções que prometem mais eficiência no campo
Plataformas abertas e soluções autônomas devem reduzir custos e aumentar eficiência

O campo já é digital — o desafio agora é torná-lo integrado e autônomo. Em meio à pressão por produtividade e custos, soluções que conectam dados e automatizam operações começam a ganhar escala nas fazendas brasileiras.
O Mundo Agro conversou com Rosiéli Mika Bonette, especialista de marketing de produto da PTx Trimble e Fernando Compagnon, especialista de produtos avançados PTx Trimble.

Mundo Agro: O que motivou o lançamento do PTx FarmENGAGE no Brasil?
Rosiéli Mika Bonette: O lançamento do FarmENGAGE foi motivado pela necessidade do produtor rural de fazer a gestão de dados de diferentes formatos e marcas. A AGCO é uma empresa focada no produtor e em suas necessidades, ele vem sempre em primeiro lugar. Por isso estamos investindo nesta plataforma de gestão de dados, que é a maior e mais abrangente do mercado em termos de gestão de dados de frota mista.
Mundo Agro: Qual problema do produtor brasileiro vocês estão tentando resolver prioritariamente?
Rosiéli Mika Bonette: O nosso diferencial em termos de gestão de dados é democratizar o uso deste tipo de ferramenta, independente de qual marca o produtor possui. Entendemos que, hoje, uma propriedade rural tem diferentes marcas e tecnologias trabalhando juntas, porém os dados não estão integrados. A operação está sendo executada por um conjunto de máquinas, porém a gestão está fragmentada.
Mundo Agro: Por que esse lançamento acontece agora, e qual a importância da Agrishow 2026 para isso?
Rosiéli Mika Bonette: Historicamente, a Agrishow é um marco em termos de inovação. Durante a feira os nossos clientes nos procuram para conhecer novas tecnologias e principalmente, para entender como elas podem resolver um problema real do campo. A gestão de dados não é um tema novo, porém ainda existem muitos gargalos a serem ajustados no processo, por isso nós trazemos agora na Agrishow 2026 essa abordagem focada na gestão de dados de uma forma mais integrada.
Mundo Agro: Na prática, o que significa dizer que a plataforma é “aberta” e interoperável?
Rosiéli Mika Bonette: Em termos de compatibilidade, o FarmENGAGE é compatível com praticamente todos os formatos de arquivos utilizados na agricultura de precisão, desde os mais genéricos até os formatos proprietários dos principais fabricantes de máquinas do mercado.
Além disso, nossa plataforma possui a possibilidade de expandir a comunicação através de uma API (Interface de Programação de Aplicações) com outras plataformas, permitindo esta integração para os clientes que já fazem a gestão de parte dos seus dados.
Mundo Agro: Como o FarmENGAGE conversa com sistemas já usados no campo, como John Deere Operations Center, Raven Slingshot e Case IH FieldOps?
Rosiéli Mika Bonette: A integração é feita por meio de APIs, que são interfaces criadas entre as plataformas para que exista um compartilhamento de dados entre elas, facilitando a vida do agricultor na hora de fazer a gestão dos dados vindos de diferentes tecnologias no campo.
O agricultor já enfrenta muitos desafios para produzir, o campo é a indústria mais complexa que existe, e fazer a gestão dos dados precisa ser fácil e interoperável, sem barreiras, restrições, em resumo sem complexidade.
Mundo Agro: O produtor precisa abandonar sistemas antigos ou o FarmENGAGE funciona como uma camada integradora?
Rosiéli Mika Bonette: É possível fazer a gestão de dados remota e automatizada nas tecnologias atuais que permitem a conectividade, sincronizando os dados direto do campo com o escritório. E também fazer a importação e a exportação dos arquivos de maneira tradicional para equipamentos mais antigos. Ou seja, conseguimos atuar de forma bem ampla e integrada atendendo a todos os agricultores, independentemente da idade e marca dos equipamentos, e também da infraestrutura de conectividade disponível. Apesar de sermos uma empresa extremamente inovadora, e estarmos sempre na vanguarda iniciando transformações na agricultura, - a exemplo do piloto automático que a PTx Trimble foi a precursora da tecnologia e agora da autonomia no campo – ainda assim valorizamos muito o investimento já feito pelo nosso cliente, e oferecemos soluções escaláveis.
Mundo Agro: Qual o próximo passo da PTx Trimble no Brasil?
Rosiéli Mika Bonette: Em 5 anos, como deve ser a gestão de uma fazenda com esse tipo de tecnologia?
Hoje a PTx Trimble já oferece uma gestão mais simplificada e conectada em termos de dados e de tecnologias.
O presente é tecnológico e a visão de futuro a curto e médio prazo como, por exemplo, 5 anos, é de que com certeza teremos todas essas tecnologias mais robustas e sendo usadas de forma mais massiva.
Com a pressão por redução de custos, falta de mão de obra, necessidade em aumentar produtividade e rentabilidade, e implementação de autonomia, a gestão de dados se consolida como um elo importante e a PTx Trimble está comprometida em apoiar o produtor e oferecer tecnologias que realmente solucionem suas demandas.
Mundo Agro: Quem não investir em integração de dados agora corre o risco de ficar para trás?
Rosiéli Mika Bonette: Sim, e o produtor sabe disso. Porém a implementação de todo o processo nem sempre é simples e fácil. Muitas são as barreiras que o produtor encontra ao longo do caminho, uma delas por exemplo, a dificuldade em fazer esta gestão de dados de frota mista, o que acaba dificultando a implementação. Hoje uma solução completa e simplificada motiva o produtor a investir.

Mundo Agro: O que é o OutRun na prática para o produtor?
Fernando Compagnon: Com o Outrun, o produtor ganha autonomia. A tecnologia permite que máquinas executem operações repetitivas, como o preparo de solo, de forma independente, trabalhando por turnos ou noites inteiras sem operador. O resultado direto é a redução drástica do cansaço físico da equipe e a otimização do tempo para outras tarefas essenciais. Além disso, é uma solução multi-operação, garantindo produtividade em diferentes momentos da safra.
Mundo Agro: Quanto dá para ganhar, de fato, em produtividade e redução de custos com o sistema?
Fernando Compagnon: A solução Outrun apresenta uma nova forma de trabalho para o produtor, sendo extremamente estratégica, principalmente quando consideramos o momento desafiador que o campo enfrenta atualmente com a falta de mão de obra. Podemos fazer uma analogia sobre quando surgiram os primeiros tornos CNC, onde se inicia a produção de peças em série e em quantidades altas. Da mesma forma que ocorreu no passado, ao invés de um operador passar por muitas horas seguidas na cabine, repetindo as mesmas tarefas, agora a tecnologia poderá fazer isso e garantindo melhor precisão e uma execução super minuciosa capaz de garantir melhor eficiência operacional e assim preparar mais hectares ao mesmo tempo.
Mundo Agro: O produtor precisa investir em máquinas novas ou consegue adaptar a frota atual?
Fernando Compagnon: Esse é um grande diferencial do Outrun da PTx. Nossa solução é retrofit, ou seja, podemos adaptar a tecnologia às máquinas que já estão em campo sendo utilizadas. Portanto, não é necessário aquisições de novas máquinas, a tecnologia já é compatível com mais de um fabricante e nossa ambição é aumentar significativamente a compatibilidade de máquinas para possibilitar aos produtores acesso a esta tecnologia independentemente da marca da sua máquina.
Mundo Agro: O sistema substitui a mão de obra ou muda o papel do trabalhador no campo?
Fernando Compagnon: Ao utilizar a solução Outrun o produtor mudará a forma de empregar a mão de obra, assim como a especialidade da mão de obra terá de ser diferente dado o nível de tecnologia embarcado. A tecnologia não substituirá a mão de obra no campo, mas irá sim mudar o papel e o perfil do trabalhador no campo, sendo possível um operador programar mais do que uma máquina e operar simultaneamente estas máquinas no campo a partir de seu tablet de onde estiver.
Mundo Agro: Quem não adotar esse tipo de automação agora corre o risco de ficar para trás?
Fernando Compagnon: A tecnologia vem sendo empregada no campo a passos largos, sendo assim, podemos dizer que, se um produtor se fechar para a tecnologia, ele deixará de ter contato com inovações capazes de otimizar seus recursos e aumentar sua produtividade.
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