Nanotecnologia ganha espaço no combate aos percevejos nas plantações de soja
Estudo reúne os avanços mais recentes no combate à principal praga da soja e aponta tendências para o manejo do futuro

A resistência dos percevejos aos inseticidas está acelerando a busca por novas tecnologias para o manejo da soja no Brasil.
Uma revisão científica publicada na revista Crop Protection mostra que ferramentas como nanotecnologia, controle biológico, feromônios e sistemas inteligentes de monitoramento despontam como alternativas para tornar o controle dessas pragas mais eficiente e reduzir a dependência do controle químico nas lavouras.
O desafio não é pequeno. Considerados uma das principais ameaças à sojicultura brasileira, os percevejos podem provocar perdas de até 30% na produtividade em situações de infestação severa e respondem por cerca de 60% das aplicações de inseticidas realizadas na cultura no país, segundo dados reunidos pelos pesquisadores.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) e instituições parceiras.
A revisão reúne os avanços mais recentes relacionados ao manejo dos percevejos da soja e discute como diferentes tecnologias poderão atuar de forma integrada para enfrentar um problema que se torna cada vez mais complexo com o avanço da resistência aos inseticidas.
Entre as espécies que mais preocupam os pesquisadores está Euschistus heros, considerado atualmente um dos percevejos de maior importância econômica para a cultura da soja no Brasil.
Estudos analisados na revisão mostram que populações da espécie já apresentam redução da suscetibilidade a ingredientes ativos amplamente utilizados no campo, indicando que o modelo baseado predominantemente em aplicações de inseticidas enfrenta limitações crescentes.

Para os pesquisadores, esse cenário reforça a importância do Manejo Integrado de Pragas (MIP), estratégia que combina diferentes métodos de controle para reduzir a pressão sobre os inseticidas e ampliar a sustentabilidade da produção.
Uma das ferramentas que vem ganhando espaço é o controle biológico. Segundo levantamento citado na revisão, essa estratégia já está presente em aproximadamente 20 milhões de hectares agrícolas no Brasil.
Entre os inimigos naturais utilizados contra os percevejos está o parasitoide Telenomus podisi, que ataca os ovos da praga antes da eclosão, reduzindo a população dos insetos e contribuindo para diminuir os danos à lavoura.
Outra frente de pesquisa envolve os feromônios e outros semioquímicos, substâncias utilizadas pelos próprios insetos para se comunicar. Armadilhas baseadas nesses compostos aumentam a precisão do monitoramento das populações de percevejos e ajudam o produtor a definir o momento mais adequado para a adoção de medidas de controle.
Mas é a nanotecnologia que desponta como uma das áreas mais promissoras para o desenvolvimento de soluções voltadas ao manejo de pragas.
“Estamos avançando para sistemas de manejo mais inteligentes, nos quais nanotecnologia, controle biológico e comunicação química de insetos atuam de forma integrada. O objetivo é aumentar a eficiência das estratégias de controle, reduzir perdas e contribuir para uma agricultura cada vez mais sustentável”, afirma Leonardo Fraceto, coordenador nacional do INCT NanoAgro e um dos autores do estudo.
Embora muitas dessas soluções ainda estejam em diferentes fases de desenvolvimento e validação, os pesquisadores avaliam que a tendência é de uma integração cada vez maior entre nanotecnologia, controle biológico, comunicação química dos insetos e monitoramento inteligente.
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