As mulheres que estão redesenhando o vinho italiano
Elas lideram uma transformação que vai além dos vinhedos

O protagonismo feminino foi um dos grandes destaques do VinoVip, realizado em Cortina d’Ampezzo, no norte da Itália. E não foi por acaso.
Marilisa Allegrini, uma das mais respeitadas empresárias da vitivinicultura italiana e referência da Valpolicella, recebeu o Prêmio Khail 2026, reconhecimento concedido a personalidades que contribuem para a valorização internacional do vinho italiano. Mas ela, em vez de falar de mercado, exportações ou grandes rótulos, preferiu refletir sobre legado.
“Receber um prêmio que leva o nome de Pino Khail significa lembrar que o verdadeiro sucesso não é aquilo que construímos para nós mesmos, mas o legado que conseguimos deixar para os outros.”
Marilisa foi além. Defendeu que talvez seja hora de substituir uma palavra que, há décadas, domina as campanhas institucionais do vinho. “A moderação deveria ser substituída por educação e sabedoria.”
E faz sentido. O vinho precisa deixar de ser apresentado apenas como uma bebida e voltar a ser compreendido como expressão de território, cultura, história e gastronomia.

Ela não foi a única a defender essa ideia. Marzia Varvaglione, representante da nova geração de líderes do vinho italiano, é a primeira mulher a presidir o CEEV (Comité Européen des Entreprises Vins), entidade que reúne as empresas vitivinícolas da Europa, e também está à frente da AGIVI, organização dos jovens empresários do vinho na Itália.
“A educação, na minha opinião, é hoje o elo que falta. O novo consumidor precisa ser formado.”
Em um mundo em que o consumo de vinho perde espaço entre os jovens e novos hábitos transformam a relação das pessoas com as bebidas, é preciso criar conexão.
E não estou falando apenas de rótulos de excelência. Quando se apresentam a origem, a identidade e a história por trás de cada garrafa, aproxima-se o consumidor e constrói-se uma relação que vai muito além do produto.
Além de Marilisa e Marzia, encontrei produtoras, enólogas, especialistas e jornalistas da Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Suécia, Finlândia e Brasil participando das discussões sobre o futuro do setor.

Mais do que representar diferentes países, todas compartilhavam a capacidade de conectar tradição e inovação sem perder de vista aquilo que faz do vinho um patrimônio cultural.
Voltei de Cortina d’Ampezzo com a certeza de que o futuro do vinho será construído não apenas pela excelência dos vinhos, mas também pela capacidade de formar novos consumidores. E, pelo que vi na Itália, as mulheres estarão na linha de frente dessa transformação.
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