Nova solução biológica pode mudar combate ao bicudo do algodão
Descoberta de fungo no Pantanal aponta alternativa ao controle químico da praga

Com potencial de causar perdas de até 70% na lavoura de algodão, o bicudo-do-algodoeiro permanece como uma das pragas mais difíceis de controlar no Brasil.
A necessidade de manejo intensivo e os altos custos colocam pressão sobre o produtor. Nesse contexto, a descoberta de um fungo capaz de atuar no controle do inseto, mesmo em condições adversas, surge como uma alternativa promissora.
O Mundo Agro conversou com Lauany Cavalcante, engenheira agrônoma da Biotrop, sobre os impactos da praga e o potencial dessa nova abordagem.

Mundo Agro: Qual é o impacto do bicudo-do-algodoeiro na produção de algodão no Brasil?
Lauany Cavalcante: O bicudo pode causar prejuízos de até 70% na produtividade do algodão, sendo uma das pragas mais devastadoras da cultura. O custo de manejo desta praga por hectare está em torno de US$ 200/ha apenas para o manejo do bicudo-do-algodoeiro.
Mundo Agro: Por que o inseto Anthonomus grandis é considerado tão difícil de controlar?
Lauany Cavalcante: Porque ele é altamente resiliente, de difícil acesso dentro da planta (fica protegido nas estruturas reprodutivas) e exige controle precoce para ser eficaz.
Mundo Agro: Onde os pesquisadores encontraram o fungo que colonizava o bicudo?
Lauany Cavalcante: O fungo foi encontrado no Pantanal brasileiro, dentro de uma maçã de algodão caída no solo.
Mundo Agro: Qual foi a importância da descoberta feita no Pantanal?
Lauany Cavalcante: A descoberta mostrou um fungo capaz de sobreviver e atuar em condições adversas (calor, umidade e pressão química), revelando alto potencial para controle da praga.
Mundo Agro: Como o fungo Cordyceps javanica atua para matar o inseto?
Lauany Cavalcante: Ele germina no corpo do inseto após aplicação, de forma semelhante a uma semente, colonizando-o até causar sua morte.
Mundo Agro: Por que a alta temperatura e umidade favorecem a proliferação do bicudo-do-algodoeiro?
Lauany Cavalcante: Essas condições aceleram o ciclo de desenvolvimento do inseto, aumentando sua taxa de reprodução.
Mundo Agro: Quais vantagens o controle biológico apresenta em comparação com inseticidas químicos?
Lauany Cavalcante: · Atua com amplo espectro de ação.
· Não interfere no equilíbrio ambiental.
· Pode atuar em múltiplos alvos.
Mundo Agro: Por que a sobrevivência do fungo após várias aplicações de inseticidas chamou atenção?
Lauany Cavalcante: Porque ele demonstrou alta resistência e capacidade de sobrevivência mesmo após cerca de 15 a 20 aplicações químicas, indicando grande robustez biológica.
Mundo Agro: Como a descoberta desse fungo pode mudar o manejo de pragas na cotonicultura?
Lauany Cavalcante: Ela permite o desenvolvimento de uma nova solução biológica eficaz para uma das pragas mais difíceis, trazendo inovação ao manejo.
Mundo Agro: Por que a nova solução biológica pode ser considerada um marco para a produção de algodão no Brasil?
Lauany Cavalcante: Porque representa um avanço em inovação e eficiência no controle do bicudo, um dos maiores desafios da cultura.
Mundo Agro: Quais desafios podem existir para a adoção de soluções biológicas no campo?
Lauany Cavalcante: · Necessidade de acesso precoce à praga; o manejo precoce e associado é a chave de sucesso desta praga;
· Mudança de manejo em relação ao químico tradicional, com necessidade de conhecimento e adoção pelo produtor rural.
Mundo Agro: Como a biodiversidade brasileira pode contribuir para novas descobertas na agricultura?
Lauany Cavalcante: A biodiversidade permite a bioprospecção de microrganismos com alto potencial agrícola, como o fungo encontrado no Pantanal e que poderia ser encontrado em outros biomas brasileiros.
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