Produtora de Palma aposta na vocação e transforma sua comunidade
Agricultura de Palma avança com práticas que apoiam sustentabilidade e desenvolvimento do biocombustível
O cultivo da palma no Pará tem se tornado uma importante fonte de renda e transformação social para muitas famílias agricultoras.
Entre essas histórias está a de Benedita Almeida do Nascimento, produtora há 23 anos e parceira da Agropalma, empresa brasileira reconhecida mundialmente como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, no programa de Agricultura Familiar.
Sua trajetória é marcada por determinação, superação de preconceitos e construção de autonomia no campo.
Hoje, ela colhe não apenas frutos, mas também reconhecimento, estabilidade e a possibilidade de gerar novas oportunidades para sua família e comunidade.
Durante a 10ª edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, o Mundo Agro conversou com Benedita. Ela compartilhou sua experiência com a produção de palma, os desafios encontrados ao longo da jornada e sua visão para o futuro do setor, especialmente diante do crescimento da demanda por soluções sustentáveis e biocombustíveis.
Mundo Agro: Você é produtora de palma há 23 anos. Por que a palma?
Benedita Almeida do Nascimento: O que me levou a ser produtora de palma foi, principalmente, o fato de eu sempre gostar de desafios. Eu sempre fui produtora e, quando o projeto chegou à nossa comunidade dizendo que poderia alavancar nossas vidas e nos oferecer uma realidade diferente, eu não pensei duas vezes. Nós morávamos em uma comunidade muito afastada, de difícil acesso, sem saúde, sem educação. Então, quando ouvimos que aquele projeto poderia transformar nossas vidas, vimos uma oportunidade real de mudança.
Entramos 50 famílias — foi o projeto-piloto. O primeiro projeto de palma é o nosso. Dentre essas 50 famílias, seis somos mulheres produtoras, o restante são homens. E o que me fez, de fato, entrar no projeto foi essa vontade de mudar a minha vida sem precisar sair da minha comunidade. Eu sempre disse que, se um dia eu pudesse melhorar de vida, eu queria que fosse ali, onde eu nasci e me criei.
E isso aconteceu. Hoje, graças a Deus, eu tenho uma vida estabilizada.Meus dois filhos se formaram, meus netos estudam em escola particular, e eu tenho a casa que sempre sonhei.
Sou uma pessoa muito feliz por ter acreditado nesse projeto.E recomendo a todos que desejam transformar suas vidas: acreditem no Projeto Dendê, porque ele é um projeto de futuro.
Mundo Agro: Qual a produção por hectare na sua propriedade?
Benedita Almeida do Nascimento: Este mês, consegui produzir 144 toneladas e 150 quilos em 30 dias.
Mundo Agro: Qual foi o maior desafio na produção de Palma?
Benedita Almeida do Nascimento: O maior desafio foi enfrentar o preconceito. Muitas pessoas diziam que, por ser mulher, eu não seria capaz. Tinha entre 35 e 40 anos e filhos pequenos, e precisei provar que podia dar conta do trabalho e estava determinada a mostrar resultados.
Mundo Agro: É possível plantar Palma em qualquer lugar do Brasil?
Benedita Almeida do Nascimento: Não. Eu acredito que o primeiro passo para produzir palma é gostar do que se faz. Não importa onde você mora: se você gosta e tem vocação, você consegue. Eu nasci e me criei produtora. Então, se eu fosse morar nos Estados Unidos e tivesse terra lá, eu plantaria palma, porque isso faz parte de quem eu sou.Mas eu não posso dizer que qualquer pessoa seria capaz. Não posso afirmar isso. É preciso identificação, vontade e dedicação.
Mundo Agro: Como você vê o mercado de Palma daqui a cinco anos, com os desenvolvimentos para SAF e biocombustível?
Benedita Almeida do Nascimento: Vai ser incrível, como nosso próprio etanol. Tenho esperança de que sim, e quero estar viva para ver esse momento.
Mundo Agro: O que a Palma representa para você em uma palavra?
Benedita Almeida do Nascimento: Depois de Deus e da minha família, a Palma é tudo na minha vida.
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