E quem não é obrigado a votar nas eleições? O que fazer?
Em meio à descrença, à corrupção e à vontade de simplesmente não ir às urnas, fica uma lembrança de Seu Betinho
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O Brasil viverá um dos dias mais importantes do ano neste domingo (4). Mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a ir às urnas para escolher o Presidente da República, governadores, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Presidente e governadores são escolhidos pelo sistema majoritário. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Caso ninguém alcance esse resultado, os dois mais votados disputam o segundo turno.
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Para o Senado, também vale o sistema majoritário, mas, como neste ano estão em disputa duas vagas por Estado, são eleitos os dois candidatos mais votados. Deputados federais, estaduais e distritais seguem outro sistema: o proporcional.
Nesse cenário, uma informação sempre preocupa: as pessoas que desistiram de acreditar. Na rodada mais recente da pesquisa Nexus/BTG, realizada entre 25 e 27 de setembro, 3% dos 2.009 eleitores entrevistados disseram que não irão votar.
A ausência nas urnas não é pequena durante as eleições. Em 2022, por exemplo, quase 33 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, o equivalente a 20,95% do eleitorado daquele pleito.
A importância do voto
No Brasil, nem todos são obrigados a votar. O voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e pessoas analfabetas. Em 2026, há cerca de 1,6 milhão de eleitores de 16 e 17 anos e quase 17 milhões com mais de 70.
E, quando se fala sobre isso, sempre me lembro do meu avô, Carlos Alberto Torno, conhecido como seu Betinho.
Ele participou das eleições até o ano de sua morte, aos 86 anos, mesmo quando já não precisava comparecer às urnas. Em 2018, chegou a dar uma entrevista para uma colega querida de profissão sobre a importância do voto.
“Sempre gostei de política, de ler notícias no jornal, de acompanhar os debates e o noticiário na televisão. É muito importante participarmos, apesar de toda essa corrupção e do dinheiro desviado da Petrobrás”, destacou ele na época, citando notícias a respeito da Operação Lava Jato.
Morador de Catiguá, no interior de São Paulo, meu querido avô dizia que escolher um candidato exigia atenção. “Precisamos analisar bem os políticos, porque a enganação está grande. Acho que votar é um ato de civilidade. Eu não tenho preferência por partidos, procuro conhecer melhor o candidato”, esclareceu na época.

E deixou também um conselho aos mais jovens: “Vejo muitos jovens que não largam o celular, mas não sabem o que está acontecendo na política, no Brasil. Não é uma crítica, mas acho que eles precisam se informar e se interessar para votar com consciência”, finalizou.
Pense e aja
Eu sei que está complicado acreditar na política. É realmente difícil depositar esperança em pessoas que, muitas vezes, parecem mais preocupadas com interesses próprios do que com os desafios da cidade e do país.
Só que dizer que “nenhum político presta” não adianta nada. E ainda coloca os poucos honestos no mesmo balaio. Se todos forem tratados como iguais antes mesmo de serem analisados, deixamos de exercer justamente uma das poucas decisões que estão diretamente em nossas mãos.
Por isso, antes de domingo, vale gastar alguns minutos pesquisando os candidatos, para quem ainda não fez isso. Ler sobre o que já fizeram, o que defendem, quem os acompanha, quais propostas apresentam e se o discurso está alinhado com as ações.
Prepare sua colinha. Confira seus números. E, na cabine, vote com consciência. Porque deixar de escolher também produz consequências.
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