IA cria imagens de abuso infantil e acende alerta
Levantamento mostra crescimento acelerado desse material na internet
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A luta para proteger nossas crianças só aumenta a cada dia. E, com o avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias, esse problema agora ganha uma outra face.
A Internet Watch Foundation, organização britânica especializada no combate ao abuso sexual infantil na internet, identificou 6.310 imagens geradas por inteligência artificial classificadas como material de abuso sexual infantil apenas entre janeiro e junho deste ano. Em seis meses, portanto, o volume já foi 40% maior do que o registrado durante todo o ano de 2025.
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Mais perturbador ainda é olhar para quem aparece nessas imagens. Nos casos em que foi possível identificar idade e sexo, 98% retratavam meninas entre 7 e 13 anos. Há também registros envolvendo crianças de 3 a 6 anos e até bebês e crianças com menos de 2 anos.
Combate é urgente
É difícil ler esses dados sem sentir revolta e indignação. A inteligência artificial entrou nas nossas vidas prometendo facilitar tarefas, democratizar o conhecimento, aumentar a produtividade e ampliar possibilidades criativas.
Mas toda tecnologia também pode ser apropriada por quem pretende fazer o mal. E talvez estejamos diante de uma das manifestações mais perversas desse uso.
Existe uma armadilha perigosa quando falamos sobre imagens produzidas artificialmente: imaginar que, se aquilo não aconteceu exatamente como aparece na tela, então não existe uma vítima.
Em muitos casos, criminosos utilizam fotografias de crianças reais para manipular seus corpos digitalmente ou produzem novas imagens a partir de vítimas que já sofreram abuso.
A própria IWF alerta que crianças já identificadas em materiais criminosos podem voltar a ser retratadas artificialmente, prolongando uma violência que deveria ter terminado.
Ou seja: a tecnologia pode transformar um abuso em algo praticamente interminável. Uma fotografia comum publicada por uma família também pode deixar de ser apenas uma fotografia.
E tudo isso aumenta drasticamente a preocupação que pais e responsáveis precisam ter com a exposição dos filhos na internet.
Não estou dizendo que devemos criar nossos filhos em uma redoma digital. Mas talvez precisemos abandonar de uma vez por todas aquela antiga sensação de que uma fotografia inocente publicada nas redes é apenas uma fotografia inocente.
Depois que uma imagem entra na internet, perdemos grande parte do controle sobre o que pode ser feito com ela. E a inteligência artificial só aumenta esse risco.
A tecnologia mudou. A perversidade humana, não. Empresas de tecnologia terão de ser cobradas por sistemas de proteção realmente eficazes. Governos precisarão atualizar leis em uma velocidade muito maior do que aquela a que estão acostumados. Plataformas terão de investir seriamente na identificação e remoção desses conteúdos.
E nós, pais, também teremos de reaprender o significado de privacidade. Há alguns anos, proteger uma criança significava ensiná-la a não conversar com desconhecidos. Hoje, também significa pensar antes de publicar seu rosto, sua rotina, sua escola, seu uniforme, sua localização e sua intimidade para centenas ou milhares de pessoas.
Blindar a infância nunca foi tão urgente e necessário.
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