O que o anestesista faz enquanto você está dormindo?
Entenda como o especialista mantém o paciente seguro durante todo o procedimento
Saúde em Perspectiva|Do R7
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Você sabia que o papel do anestesista não começa na hora da cirurgia? Na verdade, pode começar até dias antes.
É na consulta pré-anestésica ou avaliação pré-anestésica, que pode acontecer dias antes ou no dia da cirurgia, que o anestesista começa a atuar efetivamente. E essa avaliação é muito importante porque é quando o anestesista sabe mais sobre o paciente: se tem alguma comorbidade, se toma alguma medicação, se já foi anestesiado antes e se houve alguma complicação.
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Com todas essas informações e junto com a programação cirúrgica, o médico anestesista planeja a anestesia do paciente. O que ele tem que pensar:
- qual técnica será utilizada;
- quais medicações;
- quais monitores.
Isso vai servir para que o procedimento seja realizado com a maior segurança possível e para que o paciente tenha uma recuperação mais rápida e sem complicações.
Antes de detalharmos como é feita a cirurgia, é importante entender que existem diferentes tipos de anestesia. Por exemplo, existe a sedação, que não é exatamente uma anestesia e é usada para procedimentos rápidos e superficiais.
Na sedação, o paciente respira sozinho, sem a ajuda de aparelhos, e isso também é papel do médico anestesista: escolher, de acordo com o procedimento, se haverá apenas uma sedação ou uma anestesia geral, por exemplo, que é bem mais profunda. Nesse caso, o paciente respira com o auxílio de aparelhos e ela é indicada para procedimentos mais longos.
Então, vamos ao passo a passo do trabalho do anestesista. O paciente é monitorizado ainda acordado. É verificada sua pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e eletrocardiograma. Em seguida, é feita uma punção para o acesso venoso, onde é colocado um cateter.
Por esse acesso, o paciente receberá uma medicação que fará com que ele durma. Com o paciente dormindo, se for uma sedação, o anestesista fica o tempo todo controlando todos os sinais vitais.
Se for uma anestesia geral, o médico vai controlar a via aérea, porque o paciente fica entubado. Em grandes cirurgias, diversos monitores são ligados ao paciente: acesso venoso central, punção de artérias, consciência.
Depois, o médico fica o tempo todo da cirurgia monitorando os sinais vitais e a profundidade da anestesia — ou seja, o quanto o sistema nervoso do paciente está deprimido pelos medicamentos anestésicos durante um procedimento. Isso significa que o médico busca o nível adequado em que o paciente não tenha consciência, não sinta dor e permaneça imóvel, mas sem administrar medicamentos em excesso.
Mas ele ainda tem que prestar atenção se aquele paciente está com sangramento acima do esperado e pode ter necessidade ou não de transfusão ou de reposição de fluidos.
Mas o anestesista verifica tudo isso apenas olhando o paciente? Claro que não. É aí que entra toda a tecnologia, que faz muita diferença na condução da anestesia. São várias telas e equipamentos espalhados ao redor do paciente dentro da sala de cirurgia. Há monitores:
- cardíacos: para medir o ritmo do coração, os batimentos e a eficiência do coração;
- de respiração: para verificar se há oxigênio suficiente, se os pulmões estão expandindo adequadamente e se o gás carbônico está sendo eliminado de forma correta;
- de profundidade da anestesia: para que não haja um despertar no meio da operação nem uma anestesia profunda demais;
- de função muscular: verificando se o paciente está adequadamente paralisado;
- de temperatura: para que o paciente não aqueça ou sinta frio (hipertermia ou hipotermia);
- de volume urinário: principalmente em cirurgias longas.
Mas, além de olhar para as telas, o anestesista está olhando para o paciente. Segundo a Dra. Diná Mie Hatanaka, responsável pelo Serviço de Anestesia do Hospital Moriah, “o papel do anestesista é estar ao lado do paciente o tempo todo e identificar e tratar qualquer alteração da forma mais precoce possível. Desde variações esperadas e simples até complicações graves, como uma alergia inesperada, uma hemorragia súbita”.
Por isso, o anestesista deve conhecer bem o seu paciente antes de a cirurgia começar e estar alerta o tempo todo. “Claro que mais desfechos podem acontecer, mesmo quando o anestesista fez tudo como deveria. Mas o seu papel é zelar pelo paciente e cuidar de todas as complicações da forma mais precoce e efetiva possível”, completa a Dra. Diná.
Quem já fez uma cirurgia sabe que é comum sentir dor quando voltamos para o quarto, às vezes mais, às vezes menos, e muitas vezes essa dor dura além da alta. Mas você sabia que, se não fosse o anestesista, essa dor poderia ser insuportável?
A Dra. Diná esclarece que esse controle da dor também é papel do anestesista. “O bom planejamento anestésico, combinando o tipo adequado de anestesia e as medicações analgésicas adequadas, permite que o paciente tenha uma recuperação com o menor desconforto possível”, garante.
Cirurgias de grande porte podem pedir a associação de bloqueios nervosos junto com a anestesia geral e o uso de medicações analgésicas no pós-operatório também. O paciente pode achar que não verá mais o anestesista, mas é ele quem vai ser chamado para que o paciente sinta pouca dor nesse momento após a cirurgia.
Então, quando encontrar o anestesista antes de uma cirurgia, pode dizer para ele que você sabe que ele vai fazer muito mais do que “botá-lo para dormir”.
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