Como o Brasil deve negociar com os EUA? Especialistas ouvidos pela RECORD NEWS opinam
Analistas acreditam que governo brasileiro precisa ter cautela ao dialogar com Washington e divergem sobre ida à OMC
Record News|Leonardo Devienne*, do R7
RESUMO DA NOTÍCIA
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O Brasil tornou-se alvo do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pode sofrer com sobretaxas de 50% a partir de 1º de agosto. As discussões entre os países ainda são cercadas por questões como a integração do Brics, com um novo sistema de pagamento, e o uso das tarifas comerciais para pressionar o Judiciário brasileiro a encerrar as investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante desta situação preocupante para a economia nacional, tanto governadores quanto a Presidência da República se veem pressionados para conseguir algum tipo de acordo comercial com o governo do republicano.
Segundo análise do economista Ricardo Buso, a reclamação que a diplomacia brasileira protocolou na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra tarifas econômicas como forma de coerção era previsível. O economista enxerga que a decisão foi certa pois os americanos não estavam abertos a novas rodadas de diálogo. “[Acionar a OMC] é importante para mostrar a injustiça da medida e conseguir adesão, conseguir apoio internacional. Acho que faz parte e está bem conduzida”, opina.
Já para Leonardo Trevisan, analista internacional, a reclamação do Itamaraty à organização não é eficaz para conter as ameaças americanas. O professor justifica que a OMC (Organização Mundial do Comércio) é “um tigre sem dentes”, ou seja, perdeu o poder que um dia teve, e não conseguirá efetivar punições à Casa Branca contra as tarifas.
Buso também aponta que uma retaliação por parte do Brasil com mais tarifas é um caminho arriscado e ineficaz devido ao comércio desigual com os Estados Unidos: “O que nós vendemos para os Estados Unidos significa quase cerca de 12% do que nós exportamos, e o que os Estados Unidos vendem para nós, nos trilhões que eles exportam, é só 1,3%”.
Este sentimento é compartilhado por Gabriel Quintanilha, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Direito do Rio de Janeiro. O especialista pontua que o Brasil deve fugir do confronto direto com os americanos, deixar de lado questões que competem mais a China e Rússia e “se colocar no seu lugar no mercado” para conseguir melhores tarifas por meio da diplomacia. “A briga da Rússia, a briga da China não é nossa e não vamos comprar isso”, completa Quintanilha.
*sob supervisão de Arnaldo Pagano, editor do R7















