Estúdio News aborda a disputa pelas ‘terras raras’, essenciais para a produção de tecnologias modernas
O programa vai ao ar na RECORD NEWS, neste sábado (2), às 22h15
Estúdio News|Do R7

O Estúdio News deste sábado (2), discute a temática das terras raras, que estão no centro de uma disputa silenciosa, porém estratégica, entre as maiores potências do mundo. Essenciais para a produção de tecnologias modernas, esses elementos químicos estão presentes em praticamente tudo: de celulares e carros elétricos a turbinas, equipamentos médicos e aplicações militares.
Apesar do nome, não são exatamente raras na natureza. O grande desafio está na extração e, sobretudo, no processamento, etapas complexas, caras e com potencial de impacto ambiental significativo.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, utilizados intensamente em indústrias de alta tecnologia. “São elementos fundamentais para o mundo inteiro, presentes na indústria bélica, ambiental e tecnológica”, explica Edinei Koester, professor doutor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
No cotidiano, esses minerais passam despercebidos. “Carros elétricos usam neodímio em seus motores, e exames de ressonância magnética utilizam gadolínio como contraste. Precisamos entender melhor esses elementos para desenvolver o país”, afirma.
Estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento apontam que as reservas brasileiras de terras raras poderiam ultrapassar R$ 23 trilhões, valor equivalente a cerca de 186% do PIB nacional.
“Esses números são sempre especulativos”, pondera Edinei. “O Brasil tem potencial, mas ainda precisa entender melhor seus recursos.”
Segundo o professor, o grande gargalo brasileiro está na incapacidade histórica de agregar valor aos seus recursos naturais. “Temos rochas, temos minerais e temos átomos estratégicos. O desafio é transformar isso em produto com valor agregado.”
Hoje, a China domina a produção e o refino global de terras raras, resultado de uma estratégia de longo prazo baseada em investimentos intensivos em educação, pesquisa e planejamento industrial.
Enquanto Estados Unidos e Europa tentam reduzir essa dependência, o Brasil surge como uma potência adormecida. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas participa com apenas 0,02% da produção global.
Para Caetano Juliani, professor doutor do Instituto de Geociências - IGc/US, o Brasil tem, sim, capacidade de se tornar um player relevante nesse cenário. “Os primeiros desenvolvimentos tecnológicos para aproveitamento das terras raras, a partir das areias monazíticas do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, foram feitos aqui”, lembra.
Atualmente, apesar de se falar muito em reservas, o país ainda lida, em muitos casos, apenas com recursos geológicos, que precisam ser melhor estudados sob o ponto de vista econômico. Ainda assim, o potencial é elevado, especialmente com a descoberta de depósitos em argilas iônicas, o mesmo tipo que revolucionou a produção chinesa.
“Do ponto de vista geológico, o Brasil hoje se posiciona ao lado da China como uma grande promessa nesse setor”, afirma Caetano.
Diante da transição energética, da eletrificação e da corrida tecnológica global, as terras raras deixaram de ser apenas um tema técnico e passaram a ocupar um papel central nas disputas econômicas e geopolíticas.
Para o Brasil, a oportunidade é clara, mas exige planejamento, investimento, segurança jurídica e uma política nacional capaz de transformar riqueza natural em desenvolvimento real.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15. A RECORD NEWS é sintonizada pelos canais de TV fechada 586 (Vivo TV), 14 (Oi TV), 578 (Claro), 419 (Sky) e 2038 (Samsung TV Plus), além do canal 42.1 em São Paulo e demais canais da TV aberta em todo o Brasil.














