Estúdio News analisa o impacto de grandes eventos culturais no meio ambiente
O programa vai ao ar neste sábado (18), às 22h15
Estúdio News|Do R7

Grandes eventos movimentam a economia, atraem milhões de pessoas e ocupam lugar central na identidade cultural das cidades brasileiras. No entanto, junto com a celebração, cresce um desafio cada vez mais urgente: a gestão adequada dos resíduos gerados. Sem planejamento, o impacto ambiental se intensifica, e os custos acabam recaindo sobre o poder público. Este tema ganha espaço no Estúdio News deste sábado (18), a partir das 22h15, na RECORD NEWS.
Apesar dos avanços na legislação, o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais para lidar com o lixo produzido em megaeventos.
Renato Paquet, ecólogo, CEO e fundador da Polen, entidade gestora de resíduos autorizada pelo Ministério do Meio Ambiente, ressalta que, em eventos de grande porte, como shows, festivais ou encontros em parques com oferta de alimentação e bebidas, a média é de aproximadamente um quilo de resíduo por pessoa.
“Em um evento com 1 milhão de pessoas, isso significa 1 milhão de quilos de resíduos gerados. Basta imaginar essa proporção em um Carnaval, uma Olimpíada ou grandes festivais realizados em cidades como São Paulo”, explica.
Além do público, os eventos também geram resíduos a partir das montagens de estandes, estruturas temporárias e operações internas, o que torna o gerenciamento ainda mais complexo.
Segundo Paquet, a falta de planejamento é hoje o maior gargalo do setor. “Muitos eventos não consideram, desde o início, o que será gerado de resíduos e como isso será tratado. Durante a operação, não se sabe para onde o material vai, como será destinado ou reciclado”, avalia.
Do ponto de vista jurídico, Fabrício Soler, advogado e professor de Direito dos Resíduos, destaca que a legislação brasileira é clara ao atribuir a responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos a quem realiza o evento, independentemente do porte. “Não é correto que o organizador faça um evento e depois deixe todo o resíduo para a coleta municipal. A operação deve ser privada e custeada por quem promove o evento”, afirma.
Soler diz que a fiscalização precisa começar antes mesmo de o evento ocorrer. Ele defende que a concessão de alvarás e autorizações esteja condicionada à apresentação de um plano de gerenciamento de resíduos detalhado, indicando claramente o destino de cada tipo de material. “Sem esse plano, o evento não deveria acontecer”, afirma.
Além disso, Soler destaca que o país já conta com instrumentos eficazes de controle, como o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), sistema público e gratuito que permite rastrear toda a cadeia — desde a geração dos resíduos até o transporte e a destinação final. “O MTR comprova que o resíduo teve destino correto, conforme o plano apresentado. É uma ferramenta fundamental para garantir transparência e responsabilidade ambiental”, conclui.
Enquanto grandes eventos seguem crescendo em público e visibilidade, os especialistas alertam que a sustentabilidade precisa acompanhar esse movimento. Com planejamento, fiscalização e cumprimento da legislação, os megaeventos podem deixar de ser sinônimo de lixo e passar a ser vitrines de boas práticas ambientais, indo muito além do discurso.
O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15. A RECORD NEWS é sintonizada pelos canais de TV fechada 586 (Vivo TV), 14 (Oi TV), 578 (Claro), 419 (Sky) e 2038 (Samsung TV Plus), além do canal 42.1 em São Paulo e demais canais da TV aberta em todo o Brasil.














