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Diário de bordo: usuário relata revolta de passageiros que incendiaram trem em setembro

Para Leonardo Dias, situação é consequência do “transporte privatizado de péssima qualidade”

Rio de Janeiro|Do R7

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Panes que interrompem a circulação de trens viraram rotina e revoltam passageiros no Rio. A pedido do R7, usuários relataram durante uma semana de setembro suas viagens de ida e volta ao trabalho/escola/faculdade nos ramais Saracuruna, Japeri e Santa Cruz.

Cheiro de urina, desrespeito a mulheres e panes: passageiros relatam ao R7 caos nos trens do Rio


Morador de Campo Grande e usuário do ramal Santa Cruz, o estudante Leonardo Dias, de 22 anos, relatou a revolta que aconteceu no dia 24 de setembro na estação de São Francisco Xavier. Na ocasião, passageiros atearam fogo em uma composição no local.

Leia o relato a seguir:


“Pego trem todos os dias e o que aconteceu dia 24 é resultado de um caos diário que enfrentamos neste transporte privatizado de péssima qualidade: caro, não atende a demanda e enguiça todo o tempo. Quando enguiça a Supervia demora vários minutos para informar e muitas vezes as pessoas ficam trancadas dentro do trem. 

Moro em Campo Grande e desci na estação São Francisco Xavier, a fim de esperar o trem parador para fazer baldeação e descer na Mangueira para ir à faculdade.


Pois bem, quando desci na São Francisco Xavier, me deparei com uma total baderna, uma gritaria sem fim e uma multidão no local assustadora. Era uma massa revoltada, que não parava de gritar. Eu perguntei o que estava acontecendo e uma pessoa apontou para um trem velho, parado, sem ar-condicionado. O trem em questão havia dado defeito.

As pessoas estavam esperando um trem pra Santa Cruz há quase uma hora e quando o bendito chegou, deu defeito. A multidão enfurecida, depois de um dia inteiro de trabalho, resolveu exprimir sua raiva da maneira mais legítima possível: começou com gritos, depois voadoras nas placas de identificação da estação, depois chutes nas latas de lixo, depois as placas e as latas foram arrancadas e atiradas na via férrea, paralisando por mais de uma hora completamente o tráfego de trens em todos os sentidos. A SuperVia parou. Ou melhor, a massa parou algo que já deveria ter parado faz tempo.


A massa gritava pelo fim da SuperVia, pela queda de [Sérgio] Cabral, por mais investimento em transporte, quando de repente avistei uma fumaça negra, logo deduzi o mais previsível, o que todos sabiam que ia acontecer: colocaram fogo no trem, que rapidamente teve seu primeiro vagão totalmente incendiado.

A massa gritava que iria colocar fogo na estação inteira, alguns estudantes apoiavam, os seguranças da SuperVia pareciam olhar com certa satisfação.

A cada dia parece que se aproxima mais o fim de Sérgio Cabral, o fim do contrato com a SuperVia e o fim de uma geração de governos-empresários que só souberam invadir o público com o privado em benefício próprio. As cenas de selvageria mostraram mais uma vez que o povo tem o poder, o povo é quem manda.

Tudo terminou com os bombeiros apagando as chamas, uma destruição generalizada e uma mídia, até o momento, calada.

Uma coisa ficou na minha cabeça: um moralista que estava presente deu um grito chamando todos de vândalos, foi quando a multidão gritou: aqui só tem trabalhador, meu jovem, vandalismo era este trem antes de ser queimado.”

Outro lado

Em resposta aos atrasos, superlotação, estações e problemas estruturais, a SuperVia disse que tem trabalhado para ampliar o número de lugares ofertados e viagens realizadas por dia. A empresa informou que, no ano passado, 30 trens novos entraram em circulação. A concessionária disse ter antecipado a compra de mais 20 novas composições, que começarão a circular em fevereiro de 2014. Como parte de seu investimento, o governo também encomendou outras 60 novas composições, que deverão começar a entrar em circulação no próximo ano.

A SuperVia ainda afirmou que o novo sistema de sinalização reduzirá o intervalo entre os trens pela metade. Sobre o valor da passagem, a empresa lembrou que o aumento foi revogado, voltando a custar R$ 2,90. Isso aconteceu após a onda de protestos de junho passado.

Sobre a falta de informações em casos de panes e atrasos, a SuperVia disse que mantém a comunicação com os passageiros por meio do CCO (Centro de Controle Operacional).

Larissa Kurka, Nayana Alcântara e Paulo Henrique Rosa, do R7

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