Estupro coletivo: buscas por foragidos continuam e suspeitos presos devem ser levados a Bangu
Raí de Souza e Lucas Perdomo foram presos na segunda-feira (30)
Rio de Janeiro|Do R7

Os dois suspeitos de envolvimento no estupro coletivo contra uma adolescente de 16 anos em comunidade da zona oeste do Rio presos na segunda-feira (30) devem ser transferidos para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, também na zona oeste, nesta terça-feira (31).
Raí de Souza, suspeito de gravar o vídeo de violência sexual, e Lucas Perdomo Duarte Santos, suspeito de envolvimento no crime, passaram a noite na Cidade da Polícia. Os dois suspeitos se mantiveram calados durante depoimento à Polícia Civil na tarde de segunda.
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O advogado de Raí, Alexandre Santana, afirmou que o suspeito se apresentou por não ter nada a ver com o crime. O defensor negou que Raí tenha gravado o vídeo, mas admitiu que as imagens foram registradas no celular dele. O advogado informou que um homem chamado Jeferson, que seria traficante, foi o autor do vídeo.
O advogado de Lucas Perdomo, Eduardo Antunes, convocou jornalistas para uma entrevista na tarde de segunda em um restaurante na rua Santa Luzia, centro, quando policiais chegaram e prenderam o suspeito. Antunes disse, após a prisão de Lucas, que o conceito de estupro está ganhando uma "elasticidade indevida" nos últimos tempos. O defensor justificou a convocação da coletiva antes da apresentação do jogador de futebol porque gostaria que Lucas desse a versão dele dos fatos. Ele reforçou que Lucas não tem envolvimento no crime.
Outros quatro suspeitos que tiveram a prisão decretada pela Justiça são procurados. Eles são Marcelo Miranda da Cruz Correa e Michel Brasil da Silva — ambos suspeitos de divulgar o vídeo em redes sociais —, Sergio Luiz da Silva Junior (chefe do tráfico da região da Praça Seca) e Raphael Assis Duarte Belo por suspeita de estupro.
A delegada afirmou em entrevista à imprensa nesta segunda-feira que o vídeo publicado em redes sociais prova o estupro coletivo.
— Está provado, não pelo laudo, mas com outras provas. Quais? O vídeo. O vídeo prova o abuso sexual, além do depoimento da vítima.
Segundo a responsável pelas investigações, a polícia quer descobrir agora quantos suspeitos participaram da ação. Apesar de o vídeo não mostrar a identidade dos suspeitos, o registro revela que há mais de uma pessoa no local, o que já configuraria abuso sexual coletivo, segundo a delegada. Cristiana disse que, além de ser vítima da violência, a adolescente ainda está sendo "criminalizada".
— A minha convicção é de que houve estupro, até porque o vídeo mostra o rapaz manipulando a menina. O que quero provar é a extensão desse estupro se foram cinco, dez ou 30. A gente quer determinar quantas pessoas praticaram esse crime.
O laudo do exame feito no IML (Instituto Médico Legal) não revelou indícios da violência em razão do tempo que se passou desde o estupro. A adolescente foi abusada na madrugada do domingo (22), mas o exame só foi realizado na quinta-feira seguinte (26). Adriane Rego, subdiretora do IML, falou sobre o prejuízo do exame.
— Após 72 horas, o organismo destrói os espermatozóides. Muito dificilmente será encontrado depois desse tempo. Não é possível determinar quantos estupradores abordaram determinada vítima pelo exame pericial.
Para a delegada, no entanto, o exame de corpo de delito é importante, mas não determinante.
— Se ela estava desacordada, não vai ter lesão porque ela não ofereceu resistência. Pra mim, [o exame] é importante, mas não determinante para a minha convicção.
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