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Idoso baleado em favela com UPP é enterrado no Rio

A companheira da vítima disse que os dois tinham planos de casamento no ano que vem

Rio de Janeiro|Do R7

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Maria Lúcia Gomes contou que planejava se casar com José Santana
Maria Lúcia Gomes contou que planejava se casar com José Santana

Foi enterrado nesta sexta-feira (20) o corpo de José Joaquim Santana, de 81 anos, morto na quarta-feira (18) na comunidade Mandela Dois, na zona norte do Rio, após ser atingido por um tiro na janela de casa. Um policial militar da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Arara/Mandela é o principal suspeito pela morte acidental. Ele assumiu que atirou para o alto ao tentar conter um protesto na favela.

No sepultamento, ocorrido nesta tarde no cemitério do Caju, o clima era de revolta entre parentes e amigos. A companheira, Maria Lúcia Gomes, disse que os dois tinham planos para se casar em 2014. Ela avisou que pretende processar o Estado.


O capitão Paulo Ramos, comandante da UPP, disponibilizou a arma do PM para que uma perícia possa identificar se foi dela que partiu o disparo que matou a vítima. Segundo moradores, o tumulto teve início após policiais da UPP tentarem apreender um menor de idade na entrada da favela. Os moradores teriam pedido que os agentes esperassem a mãe do adolescente chegar antes de ele ser encaminhado para a delegacia.

De acordo com os moradores, houve confusão e um policial atirou para o alto para dispersar o grupo. Um dos disparos atingiu o idoso.


Já a PM diz que a ação começou quando os agentes abordaram três suspeitos em uma região conhecida como Predinhos. Após revista, policiais encontraram uma quantidade não contabilizada de maconha com um dos suspeitos. Enquanto o homem era encaminhado para a viatura, moradores teriam jogado pedras contra os policiais da UPP para impedir a ação.

A corporação informou que, durante a confusão, os agentes utilizaram gás de pimenta para conter a ação dos moradores que continuavam atirando pedras e caminhando na direção da avenida Leopoldo Bulhões. Os policiais ouviram tiros e, em seguida, encontraram o idoso com um tiro na cabeça.


De acordo com a polícia, um procedimento foi aberto pelo comando da UPP Arará/Mandela para investigar a origem dos disparos. Durante o confronto, quatro policiais tiveram ferimentos leves, foram socorridos e passam bem.

Após a morte, moradores fizeram um protesto na avenida Leopoldo Bulhões. O policiamento foi reforçado na comunidade com efetivo de diversas UPPs da região. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH). Testemunhas e PMs foram ouvidos.


Cinco anos de UPP

Fincado na promessa de segurança, cidadania e inclusão social, o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) completa cinco anos nesta quinta-feira (19). Segundo o governo do Rio de Janeiro, são 252 territórios tomados das mãos do tráfico de drogas, 1,5 milhão de pessoas beneficiadas — em uma área de quase 9.500.000 m² — e mais de 9.000 policiais militares escalados para manter a paz onde o crime ditou regras por décadas. O número de homicídios, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública), caiu 30% na capital e 65% nas regiões pacificadas. As 36 unidades já instaladas, porém, não se alimentam só de boas notícias. Na contramão das promessas de paz, episódios mancharam a era das UPPs.

Para marcar os cinco anos da política de pacificação, o R7 levantou cinco questões-chave para serem discutidas por especialistas em segurança pública e pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

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