Justiça converte em preventiva prisão de PM que matou vendedor de balas em Niterói (RJ)
Decisão de juiz considerou que liberdade de agente poderia intimidar testemunhas de crime contra Hiago Macedo Bastos
Rio de Janeiro|Victor Tozo*, do R7

A Justiça do Rio de Janeiro converteu em preventiva a prisão em flagrante do policial militar Carlos Arnaud Baldez Silva Júnior, em audiência de custódia realizada na terça-feira (15). Ele foi indiciado por assassinar a tiros o vendedor de balas Hiago Macedo de Oliveira Bastos, de 21 anos, em Niterói, região metropolitana do Rio, na segunda (14).
A decisão do juiz Rafael de Almeida Rezende destacou o motivo fútil do crime, que, de acordo com o auto de prisão da polícia, ocorreu após uma discussão entre o jovem, que vendia balas na estação das barcas, e o agente.
Rezende considerou que a liberdade do PM poderia prejudicar a coleta das provas necessárias, influenciando o depoimento de testemunhas, que poderiam se sentir constrangidas ou intimidadas.
Morte de Hiago
Hiago morreu na última segunda (14) após ser atingido pelo policial na praça Arariboia. De acordo com testemunhas, o jovem tentou vender balas a um pedestre, o que ocasionou uma discussão. O agente interveio e acabou atirando nele.
Em depoimento à Polícia Civil, Arnaud afirmou que havia revistado Hiago e, mesmo após constatar que o jovem não estava armado, disparou contra ele. O PM vai responder por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.
O advogado Roberto Gatti, ex-membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Niterói, disse que o jovem já havia sido agredido por seguranças de um shopping próximo à região das barcas anteriormente, enquanto tentava vender balas.
Hiago foi sepultado no cemitério do Maruí, em Niterói, na terça (15). No velório, a irmã do jovem classificou a morte de "absurda" e lamentou que o policial "não tenha cumprido a palavra dele de proteger a sociedade e organizar a segurança".
*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira















