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Motorista e cobrador do ônibus em que morreu o fotógrafo Marigo prestam depoimento na delegacia

Possível omissão de socorro é investigada; médicos podem ser indiciados por homicídio

Rio de Janeiro|Com Agência Estado

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R7Rio-052014 Polícia Civil

O motorista e o cobrador do ônibus em que morreu o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, de 63 anos, depois de passar mal e aguardar socorro no INC (Instituto Nacional de Cardiologia), em Lanranjeiras, na zona sul do Rio, prestam depoimento, na manhã desta sexta-feira (6), na delegacia do Catete (9ª DP), também na zona sul.

A Polícia Civil e o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio) investigam a responsabilidade dos médicos do INC no episódio, ocorrido na última segunda-feira, dia 2. Marigo tinha ido correr pela orla e tomou o ônibus para voltar para casa, em Laranjeiras. Como o fotógrafo começou a passar mal, o motorista do coletivo decidiu mudar o itinerário e levá-lo ao hospital mais próximo, o INC, no mesmo bairro.


Para agilizar o atendimento e não interromper o trânsito, o motorista parou o coletivo sobre a calçada, atraindo a atenção dos pedestres. Passageiros alertaram funcionários do INC sobre o caso, mas nenhum médico apareceu para atender o fotógrafo. Funcionários do INC recomendaram que fosse chamado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Uma ambulância chegou ao INC e um médico que estava no veículo tentou socorrer o fotógrafo, que sofria um enfarte e recebeu massagem cardíaca. Em seguida uma equipe do Samu chegou e assumiu o atendimento, mas Marigo morreu minutos depois, dentro do ônibus.


O fotógrafo, que era especializado em imagens da natureza e é o autor de fotos publicadas em fichas que acompanhavam o chocolate Surpresa, foi enterrado anteontem no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul. Em nota, o INC afirmou que "uma senhora chegou à recepção do hospital pedindo atendimento a um cidadão que 'estava passando mal na rua'. Por não ter sido dimensionada a gravidade do caso, o segurança a orientou a chamar o serviço de emergência móvel - já que o INC não conta com uma unidade de emergência. (...) Assim que tomou conhecimento, uma equipe médica do INC seguiu para o ônibus para prestar o atendimento e lá ficou à disposição. Paralelo a isso, foi disponibilizado um leito no CTI do hospital para recepção do cidadão em caso de sucesso da reanimação". Segundo a nota, "não foi realizada a remoção imediata da vítima para o INC pois, de acordo com o protocolo de reanimação cardíaca, não é recomendável a mobilização do paciente".

Em entrevista nesta quarta-feira à TV Globo, a diretora médica do INC, Cynthia Magalhães, negou que tenha havido omissão de socorro.


— Acho que houve uma má informação da gravidade do que estava acontecendo ali, dentro do ônibus. A gente não tem como saber o que está acontecendo dentro de um ônibus.

A família de Marigo está acompanhando as investigações para decidir qual providência tomar.

— Só vamos tomar qualquer medida depois de conhecer as conclusões das investigações da polícia e do Cremerj —afirmou nesta quarta a viúva de Luiz Cláudio, Cecília Marigo.

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