Logo R7.com
RecordPlus

Número de mulheres assassinadas no RJ cresce 18% em 2014

Casos de estupro, apesar de terem caído 3%, foram 5.676 em todo o Estado

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
No dia 16 de abril deste ano, Amanda foi assassinada pelo noivo
No dia 16 de abril deste ano, Amanda foi assassinada pelo noivo

O número de mulheres assassinadas no Rio de Janeiro cresceu 18% em 2014, na comparação com o ano anterior. Ao longo de todo o ano passado, foram registrados 420 homicídios cujas vítimas eram do sexo feminino. Em 2013, foram 356 casos. Os dados são do Dossiê Mulher 2015, divulgado nesta quinta-feira (30) pelo ISP (Instituto de Segurança Pública).

De acordo com os cálculos, as mulheres representaram 8,5% das vítimas de homicídios no estado em 2014 e 7,5% em 2013. Entre as áreas do estado, a maior ocorrência deste tipo de crime foi em Mesquita, na Baixada Fluminense: 45 casos. Em seguida, aparece Duque de Caxias, com 36 casos. Nessas duas áreas somadas, o aumento foi 65%.


Os casos de estupro, apesar de terem caído 3%, ainda ficaram em um patamar alto, com 5.676 registros em 2014. A coordenadora do estudo, Andréia Soares Pinto, chama a atenção para o fato de a maioria das vítimas, entre as mulheres, serem crianças ou adolescentes: cerca de 65%. As vítimas com até 13 anos são 45,5% do total.

A subsecretária estadual de Políticas para as Mulheres, Marisa Chaves, lembra que as mulheres costumam ser vítimas de pessoas conhecidas.


— O curioso é que o autor dessa violência é sempre alguém com que ela conviveu, conheceu ou que ela teve uma relação de afeto, bem próximo.

O Dossiê Mulher, que está em sua décima edição, também mostra que as mulheres são a maioria das vítimas em crimes como agressão (64%), ameaça (65,5%) e injúria, calúnia ou difamação (73,6%). Ângela Freitas, integrante da Articulação de Mulheres do Brasil, destaca o papel da sociedade patriarcal nestes dados.


— A gente vive numa sociedade patriarcal, machista, onde as mulheres, por tradição, são subjugadas. Apesar de toda a luta do movimento de mulheres no sentido de reverter isso, esse traço cultural ainda é predominante, porque não existe uma política sustentável ao longo de décadas. As escolas, por exemplo, ensinam a violência e perpetuam esse traço cultural machista que submete as mulheres.

Segundo a subsecretária Marisa Chaves, o Dossiê pode ajudar o estado a planejar ações e atividades que possam modificar o quadro de uma “cultural patriarcal”.


Cinco mulheres assassinadas por companheiros 

Entre os dias 16 e 25 deste mês, cinco mulheres foram assassinadas por companheiros. A empresária e dona de uma pousada Mônica do Rosário Oliveira, de 37 anos, foi a vítima mais recente em Ilha Grande, município em Angra dos Reis, Costa Verde do Rio. O namorado dela, João Farias Brandão, de 42 anos, confessou o crime e está preso.Segundo a polícia, ele foi transferido para um presídio em Bangu, zona oeste do Rio, no dia 25 de abril. O corpo de Mônica foi encontrado num matagal, na Vila do Abrãao, no dia 23 de abril, duas semanas após o desaparecimento dela.

No dia 16, Amanda Bueno, de 29 anos, foi assassinada dentro de casa pelo noivo, Milton Severiano Vieira, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A polícia concluiu que o caso se tratou de crime passional. O suspeito matou a dançarina de funk após uma discussão. Ele teria descoberto segredos do passado dela. Câmeras de segurança da residência registraram o momento em que Vieira agrediu e matou Amanda.

No sábado (18), Mylena da Silva Bessa foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Niterói, região metropolitana do Rio. O advogado Gutemberg Gonçalves se entregou à polícia na última sexta (24).

No domingo (19), Gilmar Dias Faustino, de 54 anos, ligou para a polícia dizendo que a esposa havia tido um mal súbito, mas quando os policiais chegaram ao local, constataram que a vítima havia sido assassinada. O suspeito foi preso em flagrante e vai ser indiciado por homicídio qualificado.

Na segunda-feira (20), Cícero Antônio Rodrigues da Silva, de 43 anos, foi preso em Itaboraí, região metropolitana do Rio. Ele matou a mulher, Maria José Barbosa, a pauladas e enterrou o corpo dela no quintal de casa. Ele estava escondido na casa do patrão, segundo a Polícia Civil.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.