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Vídeo prova estupro coletivo, diz delegada que investiga violência contra adolescente no Rio

Cristiana Onorato, da DCAV, disse que objetivo da investigação é identificar os suspeitos

Rio de Janeiro|Do R7

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Cristiana Onorato assumiu investigações do caso no domingo (29)
Cristiana Onorato assumiu investigações do caso no domingo (29)

A delegada Cristiana Onorato, da DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima), afirmou em entrevista à imprensa, nesta segunda-feira (30), que vídeo publicado em redes sociais prova o estupro coletivo da adolescente de 16 anos em uma comunidade da zona oeste do Rio. Durante a entrevista, a polícia informou que Raí de Souza, suspeito de gravar o vídeo, se apresentou à DCAV. Ele teve a prisão temporária decretada. O jogador de futebol Lucas Perdomo também foi detido.

— Está provado, não pelo laudo, mas com outras provas. Quais? O vídeo. O vídeo prova o abuso sexual, além do depoimento da vítima.


Segundo a responsável pelas investigações, a polícia quer descobrir agora quantos suspeitos participaram da ação. Apesar de o vídeo não mostrar a identidade dos suspeitos, o registro revela que há mais de uma pessoa no local, o que já configuraria abuso sexual coletivo, segundo a delegada. Cristiana disse, além de ser vítima da violência, a adolescente ainda está sendo "criminalizada".

— A minha convicção é de que houve estupro, até porque o vídeo mostra o rapaz manipulando a menina. O que quero provar é a extensão desse estupro se foram cinco, dez ou 30. A gente quer determinar quantas pessoas praticaram esse crime.


Segundo a delegada, é possível identificar que ao menos três homens estavam presentes no local onde a garota foi gravada nua e desacordada. A polícia diz acreditar que dois deles seriam Raí de Souza, cujo advogado nega que ele tenha gravado o vídeo, e Raphael Assis Duarte Belo, que postou uma selfie ao lado da jovem.

O laudo do exame feito no IML (Instituto Médico Legal) não revelou indícios da violência em razão do tempo que se passou desde o estupro. A adolescente foi abusada na madrugada do domingo (22), mas o exame só foi realizado na quinta-feira seguinte (26). Adriane Rego, subdiretora do IML, falou sobre o prejuízo do exame.


— Após 72 horas, o organismo destrói os espermatozóides. Muito dificilmente será encontrado depois desse tempo. Não é possível determinar quantos estupradores abordaram determinada vítima pelo exame pericial.

Para a delegada, no entanto, o exame de corpo de delito é importante, mas não determinante.


— Se ela estava desacordada, não vai ter lesão porque ela não ofereceu resistência. Pra mim, [o exame] é importante, mas não determinante para a minha convicção.

O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que "não há provas tão robustas" de que o crime teria sido cometido por mais de 30 homens — a jovem relatou a presença de 33 homens quando retomou a consciência —, mas que a polícia continua a buscar elementos que possam comprovar o que foi dito pela própria vítima e por um homem que aparece no vídeo divulgado na internet.

Nesta manhã, a polícia fez operação para cumprir seis mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento no crime.

Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça são contra Marcelo Miranda da Cruz Correa, Michel Brasil da Silva, suspeitos de divulgar o vídeo, Sergio Luiz da Silva Junior, Raphael Assis Duarte Belo, Raí de Souza e Lucas Perdomo Duarte Santos, por suspeita de estupro.

As investigações do caso estavam sendo feitas pela DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), mas, no domingo (29), o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, decidiu que a investigação do crime de estupro coletivo seria transferida para a DCAV.

Em nota, a Civil informou que "a medida visa evidenciar o caráter protetivo à menor vítima na condução da investigação, bem como afastar futuros questionamentos de parcialidade no trabalho". Alessandro Thiers, que conduzia o caso, também não continuará investigando o vazamento das imagens do crime na internet.

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