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Rio Grande do Sul lidera produção de biometano no Brasil

Biometano impulsiona frotas e reduz emissões no estado gaúcho

Rio Grande Record|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Rio Grande do Sul é um polo na produção de biometano, um combustível renovável que movimenta o transporte pesado.
  • O biometano reduz as emissões de gases de efeito estufa ao substituir combustíveis fósseis, além de oferecer um destino útil para resíduos orgânicos.
  • A produção envolve a decomposição de lixo em aterros, gerando biogás que é filtrado para se tornar biometano, utilizado em residências e indústrias.
  • Duas usinas produzem biometano no estado, com potencial para atender 10% do consumo local, promovendo sustentabilidade e geração de empregos.

 

Do lixo ao tanque: como o biometano vira combustível para caminhões no RS

O Rio Grande do Sul se consolida como polo na produção de biometano, combustível renovável que já movimenta parte da frota de transporte pesado do país.


Diferente do GNV, o gás natural veicular de origem fóssil extraído de reservas subterrâneas, o biometano nasce da decomposição de matéria orgânica em aterros sanitários. Depois de purificado, ele ganha características muito semelhantes às do gás natural e pode ser utilizado nos mesmos motores e na mesma infraestrutura, o que faz dele, segundo especialistas, um “primo” do gás natural, mas com uma pegada de carbono menor.


O produto

O processo de produção começa nos aterros sanitários, onde a decomposição dos resíduos orgânicos gera o biogás, formado, principalmente, por metano e gás carbônico. Esse gás passa, então, por um processo de purificação, que retira o gás carbônico e outras impurezas e concentra o metano, dando origem ao biometano. Depois de comprimido, o combustível pode abastecer os mesmos veículos preparados para o gás natural, incluindo caminhões, ou seja, o que começa como resíduo termina movimentando o transporte pesado.


O ganho ambiental é um dos principais atrativos do processo: ao aproveitar o gás produzido naturalmente, pela decomposição do lixo para substituir um combustível fóssil, o biometano ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, além de dar um destino útil aos resíduos. A importância é ainda maior no transporte pesado, setor em que a eletrificação enfrenta desafios relacionados à autonomia dos veículos, ao peso das baterias e ao tempo de recarga, já que os caminhões percorrem longas distâncias e são grandes consumidores de diesel.


Desafio


Apesar do potencial, ampliar o uso do biometano no país ainda é um desafio. O Brasil tem hoje mais de 2.500 caminhões movidos a gás natural e biometano, o equivalente a apenas cerca de 0,1% da frota de caminhões pesados. Um dos principais obstáculos é a falta de uma rede ampla de abastecimento, especialmente nas rodovias de longa distância — atualmente, são cerca de 160 postos preparados para atender caminhões a gás no país.

O desafio

Outro entrave é a produção, que depende da disponibilidade de resíduos e de investimentos em usinas para transformar o biogás em combustível. O Rio Grande do Sul já conta com duas plantas em operação, em Minas do Leão e em São Leopoldo, esta última inaugurada na semana passada. Juntas, as usinas gaúchas têm capacidade para produzir cerca de 100 mil metros cúbicos de biometano por dia, transformando resíduos de aterros em combustível renovável.

Um exemplo prático dessa transição já roda pelas estradas gaúchas: a Reiter Log, sediada em Nova Santa Rita, opera uma das maiores frotas a gás do Brasil, com mais de 300 caminhões movidos a gás natural e biometano. A experiência mostra que a tecnologia já existe e funciona. O desafio, agora, é ampliar toda a cadeia, aumentando a produção, garantindo a distribuição e criando uma rede de abastecimento capaz de atender mais veículos.

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