Líder comunitário em Porto Alegre reencontra mãe após 30 anos
Januário Gonçalves, angolano que vive no Brasil, reencontra família após décadas graças a gesto solidário
Rio Grande Record|Do R7
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Após 30 anos, líder comunitário de Porto Alegre realiza sonho e reencontra a mãe em Angola
Uma história emocionante de solidariedade e persistência marcou o reencontro entre mãe e filho, depois de mais de três décadas de separação.
O destino de Januário foi o Brasil. Ele desembarcou primeiro no Rio de Janeiro e, mais tarde, escolheu Porto Alegre como o lar onde construiria uma nova vida. Apesar da distância e das barreiras do tempo, as memórias da terra natal nunca o abandonaram. "Vendo Angola, assim, me dá uma nostalgia... e eu sinto saudades de Angola", desabafa o ativista.
Na capital gaúcha, Januário transformou a saudade em ação social. Durante o período crítico da pandemia, ele esteve na linha de frente, articulando ações humanitárias e doações que beneficiaram centenas de famílias de imigrantes haitianos e angolanos, em situação de extrema vulnerabilidade.
A mão estendida de volta
Quem passou os últimos anos acolhendo os outros acabou recebendo um grande gesto de carinho de volta. Como forma de reconhecimento por anos de parceria e trabalho voluntário, uma agência de viagens decidiu presentear o ativista com as passagens aéreas para o continente africano.
"A gente organiza viagens de imersão cultural pelo mundo", relata Beto Conte, agente de viagens responsável pela surpresa. Para Januário, o presente foi o início da realização de um plano adiado por décadas: "Trinta e poucos anos que eu não vou pra Angola. Eu sempre sonhei em viver numa Angola, essa é uma das minhas grandes expectativas". O reencontro do outro lado do Atlântico
Na última semana, Januário despediu-se da esposa e do filho no Brasil para embarcar rumo ao seu passado. Logo na chegada ao aeroporto de Luanda, capital angolana, a emoção tomou conta: "Sem palavras, eu voltar pra casa... mais uma vez obrigado".
Do outro lado do oceano, a expectativa era enorme. À sua espera estavam irmãos, amigos de infância e, principalmente, uma mãe de 84 anos que não via o filho há mais de 30 anos. O momento em que a família se uniu novamente em um abraço apertado dispensou palavras, mas eternizou a vitória de quem nunca deixou de sonhar.
"Nós quando recebemos a notícia que ele chegou... é verdade", celebrou um dos irmãos de Januário, em meio à comemoração que reuniu a todos na mesma casa. "Estive muito feliz ao lado dos meus irmãos... e dormimos todos juntos", relatou o ativista, aproveitando os dias de folga para matar a saudade e tomar a tradicional cerveja N'Gola. Trinta anos de distância física foram superados por um gesto de solidariedade. Uma mãe, um filho e irmãos que, apesar do tempo e da guerra, provaram que o amor familiar resiste a qualquer fronteira.














