Após morte de dentista, conselho de odontologia reforça necessidade de segurança para categoria
Bandidos atearam fogo em Alexandre Gaddy no consultório dele, em São José dos Campos
São Paulo|Do R7

Após a morte de dentista queimado em um assalto, o Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) reforça a necessidade de maior segurança para a categoria. A entidade divulgou, na manhã desta terça-feira (4), uma nota de pesar na qual lamenta a morte de Alexandre Peçanha Gaddy, de 41 anos e lembra o assassinato da também dentista Cinthya Magaly Coutinho de Souza.
"Os crimes lamentavelmente são retratos da insegurança dos cidadãos paulistas no dia a dia. Exigem atitudes urgentes e cada vez mais firmes por parte do governo e das autoridades de segurança pública", diz a nota.
O dentista Alexandre Peçanha Gaddy, de 41 anos, morreu por volta das 22h30 desta segunda-feira (3). Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo. O velório e o enterro acontecem ainda nesta terça-feira no Cemitério Gethsêmani, na praça da Ressurreição, na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo.
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Dentista queimado em assalto ficou até mais tarde em consultório para esterilizar equipamentos
O presidente do Crosp Claudio Miyake lembrou que Gaddy e Cinthya foram queimados durante um assalto em seus consultórios.
— O que chama a atenção, nos dois casos, é que os dois colegas foram atacados e morreram no exercício da profissão. A classe está indignada com essa violência que está acometendo os consultórios.
O Crosp informou ainda que o canal de denúncias criado pela entidade recebeu, até a semana passada, 63 denúncias de furtos e assaltos praticados contra dentistas em todo o Estado. O canal de comunicação do conselho é chamado “Vamos nos Proteger” e recebe denúncias por meio do email vamosnosproteger@crosp.org.br.
O conselho deve lançar nesta sexta-feira (7) um aplicativo para celulares e computadores que poderá ser usado em momentos de emergência. Ele dispara um alarme em caso de suspeita de assalto no consultório. O botão de pânico, acionado pelo celular ou pelo computador, manda uma mensagem para 12 contatos definidos pelo usuário. A ação tem como objetivo ajudar a polícia a ter uma ação mais rápida, como conta Miyake.
— Esse dispositivo não é a salvação de todos os problemas. É mais um cuidado que a pessoa pode ter em relação a essa onda de assaltos.
Outros cuidados serão colocados em um manual com orientações aos profissionais. A cartilha está sendo feita em parceria com a Secretaria de Segurança Pública e deve ser lançada em breve, segundo o presidente do Crosp. Claudio Miyake reforçou ainda que os dentistas devem ficar atentos a cuidados básicos de segurança.
— Fazer um bom cadastro dos pacientes que serão atendidos, procurar saber referências, pedir documentos ao possível paciente. Em casos possíveis, colocar um sistema de monitoramento. Não agendar pacientes desconhecidos ou em uma primeira consulta em horários vazios, que não tem movimento.
O crime
O dentista foi queimado vivo durante um assalto na segunda-feira da semana passada (27). Naquele dia, ele havia ficado até mais tarde para esterilizar equipamentos. O crime aconteceu no consultório em que trabalhava na rua dos Periquitos, na Vila Tatetuba, zona leste de São José dos Campos, cidade a 97 km de São Paulo.
A Polícia Militar foi chamada depois que vizinhos ouviram gritos de socorro da vítima e fogo no interior do estabelecimento. Quando os policiais chegaram, perceberam que havia muita água no chão. Essa foi uma tentativa desesperada de Peçanha em apagar o fogo que atingiu cerca de 60% de seu corpo.
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O dentista estava consciente quando a polícia chegou. Ele disse que dois homens entraram no consultório, anunciaram o assalto e, quando ele foi retirar o celular do bolso, jogaram álcool nele. No banheiro, onde o dentista foi queimado, estavam o vidro de álcool e o isqueiro usados no crime.
Logo após o crime, Alexandre Peçanha Gaddy foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de São José dos Campos, na Vila Industrial. No dia seguinte, ele foi transferido para o setor de queimados da Santa Casa da cidade onde permaneceu até a última quinta-feira (30), quando foi novamente transferido, desta vez para o Hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo.
Disque Denúncia
A Polícia Civil de São José dos Campos pediu a colaboração da população para prender os suspeitos que atearam fogo no dentista. Quem tiver qualquer informação sobre possíveis autores, pode ligar no Disque Denúncia, pelo número 181.
O serviço é gratuito, válido para todo o Estado, e não é necessário se identificar. Também é possível fazer a denúncia pelo 190 da Polícia Militar. Até o momento, a polícia não conseguiu prender e nem identificar os criminosos.
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