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Casal de punks é denunciado por morte de estudante em festa na Unicamp

Maria Peregrino, Anderson Mamede e amigo são réus no assassinato de Denis Casagrande

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Maria Teresa Peregrino e outros dois foram responsáveis pela morte do estudante Denis Casagrande no mês passado
Maria Teresa Peregrino e outros dois foram responsáveis pela morte do estudante Denis Casagrande no mês passado

O casal Maria Teresa Peregrino e Anderson Mamede, ambos de 20 anos, além de um amigo de 22, foram denunciados pelo Ministério Público como responsáveis pela morte do estudante de engenharia Denis Papa Casagrande, de 21, em uma festa no campus da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no último dia 21 de setembro. Se acolhida a denúncia pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campinas, o trio responderá por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima), cuja pena pode passar de 30 anos de prisão.

De acordo com a denúncia formulada pelo promotor Fernando Pereira Vianna Neto, Maria foi a autora da facada no peito da vítima, durante uma briga por volta das 3h50 do dia 21 do mês passado. Já Mamede e um amigo, André Ricardo de Souza Motta, praticaram agressões que contribuíram para a morte da vítima. Dos indiciados, apenas Motta está em liberdade, mas a sua prisão preventiva já foi solicitada pelo delegado do caso, Rui Pegolo, e aguarda o aval da Justiça.


Outros dois adolescentes, de 15 e 16 anos, também estão envolvidos, com base nas apurações da polícia, e podem ser apreendidos e enviados para a Fundação Casa.

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A confusão, segundo a denúncia, ocorreu porque Maria teria apontado Casagrande como aquele que a importunou, enquanto ela urinava em um banheiro improvisado, nos arredores da festa que ocorria de maneira irregular, segundo a reitoria da Unicamp informou horas depois ao crime. A polícia constatou, com base em testemunhos de mais de 20 pessoas ouvidas, que o estudante estava no local, mas que foi acusado sem ter feito nada.


As investigações do Departamento de Homicídios de Campinas comprovaram, conforme aponta o inquérito, que Maria de fato foi importunada, mas por outras pessoas que estavam no local. Mesmo dizendo que não havia feito nada, Casagrande foi agredido, inclusive com um skate – o que foi admitido por Mamede em seu depoimento –, o que prosseguiu mesmo com a vítima já desfalecida no chão, já esfaqueada. Mesmo socorrido, o estudante não resistiu e morreu.

— O crime foi cometido com emprego de meio cruel, eis que a vítima foi espancada pelos denunciados e outros integrantes do grupo deles, mesmo após ser ferida por uma facada na região peitoral, causando-lhe intenso e desnecessário sofrimento, até a sua morte.


Integrantes de um grupo punk de Campinas, Maria e Mamede estão presos de maneira preventiva desde o dia 28 de setembro. A Promotoria espera que, tão logo a denúncia seja aceita pelo Tribunal do Júri, o casal tenha a sua prisão temporária (válida por 30 dias e prorrogável por igual período) decretada e que aguardem o processo na cadeia. Na visão de Vianna Neto, ambos possuem um perfil violento e, por terem cometido um crime hediondo, devem seguir detidos. A defesa de Maria já entrou com um pedido de habeas corpus na semana passada.

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A reportagem do R7 já apresentou, no dia 26 de setembro, um material que demonstrava a postura do casal de punks nas redes sociais. Menos de 24 horas da publicação, ambas as páginas dos indiciados foram excluídas.

Procurado para comentar a denúncia do Ministério Público, o advogado Felipe Ballarin Ferraioli, um dos que representa Maria Teresa, não atendeu às ligações. Anteriormente ao R7, o defensor disse que o próprio inquérito policial dá sustentação à versão de legítima defesa dos indiciados pela Promotoria, apontando para Casagrande como o “autor” da própria morte.

— A tese de legítima defesa está ainda mais cristalina no inquérito. Os amigos da vítima relataram que ele havia ingerido bebida alcoólica, mais precisamente catuaba, e continuava bebendo na festa. Nenhum deles presenciou a briga, quando viram o tumulto e encontraram uma pessoa no chão, perceberam que era o Denis. Nenhuma dessas pessoas presenciou as agressões e a investida dele contra a Maria. Há testemunhas protegidas que corroboram a versão dela.

Já Anderson Mamede e André Ricardo de Souza Motta ainda não constituíram defesa no caso.

A festa

Batizada de "Festival de Rádios Livres", a festa aconteceu no teatro de arena do Ciclo Básico e foi organizada pela Rádio Muda — rádio universitária que funciona dentro do campus. O evento, que contou com banda, estava marcado para as 23 h.

Segundo o parecer da Unicamp, por volta das 23 h, a vigilância interna da universidade chegou a acionar a Polícia Militar e a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) por causa da invasão no campus por participantes da festa. Eles teriam avançado sobre as barreiras e vigilantes de duas guaritas. A informação foi confirmada em uma nota.

— Ambas as solicitações não foram atendidas, apesar da insistência da Vigilância Interna.

A PM informou que não houve chamado sobre festas no campus. A Emdec informou que a área dentro da universidade não é de competência da empresa.

Desde 2009, toda festa no campus está sujeita à autorização prévia da universidade, que disse não ter autorizado nem ter participação na rádio.

A universidade também informou que "não apoia e nem tem participação alguma na rádio que opera de forma clandestina e ilegal no campus". O comunicado ainda informa que "a Unicamp acompanha o andamento das providências tomadas pelo Ministério Público Federal, que instaurou Inquérito Civil Público para apurar as responsabilidades pela rádio e adotar as medidas cabíveis".

A Unicamp informou que apura o caso "e identificar os responsáveis pela festa realizada sem autorização da instituição bem como a participação de pessoas estranhas à comunidade acadêmica".

Relembre o caso:

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