Comerciantes da zona leste de SP temem “expulsão” com novo Plano Diretor
Discussão oscilou entre otimismo das autoridades e medo de setores populares
São Paulo|Do R7
O projeto do novo PDE (Plano Diretor Estratégico) para a cidade de São Paulo ainda gera muitas dúvidas para a principal região a ser estimulada por ele, a zona leste da capital. É o que revelou a audiência pública realizada no último sábado (26), no CEU Jambeiro de Guaianases. A especulação imobiliária e o forte adensamento em alguns bairros foram discutidos.
O microempresário Natalício Vigo, que trabalha na região, falou no medo de “ser expulso”. A opinião foi compartilhada por Oswaldo Ribeiro, morador do Jardim Helena, que pediu a palavra durante a audiência para dizer que teme prejuízo para quem já está há anos na zona leste da cidade.
— Minha preocupação é que com a descentralização do emprego venha a especulação imobiliária e isso force as pessoas a sair.
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A moradora Débora Rodrigues, que vive em Itaquera, reclamou que o aumento do adensamento de uma área como a região da avenida Jacu-Pêssego, já bastante povoada, trará mais prejuízos do que benefícios para quem vive na região. A área é conhecida pelo comércio e pela prestação de serviços.
— Vão matar o centro comercial de Itaquera. Se eu fosse empresária não traria meu negócio para cá. Ninguém para na avenida (Itaquera) e outros lugares dão mais vantagens.
Em linhas gerais, o projeto parte da premissa da cidade ser construída a partir de eixos de mobilidade urbana de média e alta capacidade, levando em conta o acesso ao transporte público e à moradia, levando o emprego para mais perto de onde estão as maiores concentrações populacionais da capital.
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Relator do projeto do novo Plano Diretor, o vereador Nabil Bonduki (PT) considerou importantes as pontuações feitas por quem vive há anos na zona leste, e que tais argumentos deverão ser considerados antes do projeto chegar a ser votado no Plenário da Câmara Municipal.
— Essa é a importância do olhar local, isso justifica a realização dessas audiências regionais.
Já o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando Melo Franco, reforçou o discurso do prefeito Fernando Haddad, destacando que é preciso equilibrar oferta de emprego com oferta de moradia.
— Nossa estratégia é que desenvolvimento, maior adensamento, serviços, todo tipo de equipamento sejam prioritariamente conduzidos a partir do momento que redes de transporte público sejam implantadas. A transformação não vai acontecer no tecido consolidado.
Antes de chegar ao plenário, o Plano Diretor passará por um total de 45 audiências públicas – um de abertura, outras quatro macrorregionais, nove temáticas e 31 nas subprefeituras – até o dia 9 de dezembro. Cada uma delas pode ser acompanhada pelo site oficial da Câmara.













