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Confissão era o mínimo a se esperar, diz pai de aluno morto na USP

Depois de supervisora de estudante assumir culpa em acidente de trabalho, família quer que universidade pague indenização por danos morais

São Paulo|Gabriel Croquer*, do R7

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Filipe Varea Leme morreu aos 21 anos
em acidente de trabalho na Poli
Filipe Varea Leme morreu aos 21 anos em acidente de trabalho na Poli

Fabio Leme, pai do jovem estudante morto em um acidente de trabalho que ocorreu no ano passado, nas dependências da USP (Universidade de São Paulo), reagiu à confissão de culpa da supervisora perante à Justiça e criticou a pena de oito meses de prestação de serviços à comunidade. "Sobre a confissão, foi o mínimo que se poderia esperar. Sobre a tarefa (pena), consideramos muito branda", disse ao R7.

Leia mais: Após morte na USP, sindicato reclama de condições de trabalho


Filipe Varea Leme, de 21 anos, era estudante de geografia na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP e trabalhava como monitor de informática na Poli (Escola Politécnica), também da universidade.

Durante a tarde do dia 30 de abril de 2019, a supervisora de Filipe pediu para que o jovem carregasse um armário de uma sala para outra. O estudante utilizou o elevador para realizar o transporte e o móvel acabou caindo sobre ele. Filipe morreu no local, com o pescoço quebrado. 


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Para evitar a denúncia do Ministério Público, a mulher assinou um acordo de não-persecução penal, no qual o réu que não cometeu crime com pena maior de quatro anos e com violência ou grave ameaça à pessoa pode confessar o ato em troca de penas mais brandas e não oferecimento de denúncia.

Desta forma, caso a supervisora cumpra os serviços à comunidade por oito meses, ela sairá do processo como réu primária (sem antecedentes criminais).


"Espero que dirigentes assumam responsabilidade"

O pai de Filipe, porém, acredita que a universidade também tem culpa e torce para que os dirigentes da universidade também assumam responsabilidade. "A negligência que ocorreu com meu filho dentro da Poli tem que acabar. Posturas precisam ser revistas, de forma a valorizar o estudante e seu potencial. Infelizmente, a precariedade que se encontra a USP é o início do assassinato", argumentou.

Logo após a morte trágica, a universidade abriu investigação interna, sem encontrar culpados, mesma conclusão que apresentou para se defender no processo de indenização.


Após a confissão da supervisora, assinada em outubro deste ano, advogados da família de Filipe Varea vão reforçar o pedido de indenização por danos morais à universidade no processo cível, com valores estipulados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão.

"Na medida em que ela [supervisora] assume - no âmbito penal - a negligência, a tese de defesa da USP no [processo] cível desaba. Então na ação cível, toda a tese da família está confirmada com a admissão da funcionária", defende o advogado da família, Rogério Licastro de Mello.

O advogado Euro Bento Maciel Filho, que representou a família no processo criminal que terminou com a confissão da servidora, concorda com a interpretação: "a confissão obtida no [processo] criminal sobre a negligência pode ser usada no cível". 

Em nota, a USP afirmou que não é parte do processo criminal e, portanto, não teve acesso ao texto final assinado pela servidora. De acordo com a universidade, a mulher não confessou a negligência nem nos depoimentos perante a polícia, nem na sindicância interna conduzida pela universidade.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá

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