Defesa apresenta trunfo em favor de Gil Rugai na tentativa de desmontar tese da acusação
Advogado do ex-seminarista tenta justificar por que não houve briga entre ele e o pai
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

A defesa de Gil Rugai apresentou uma carta na manga na noite desta quinta-feira (21), na tentativa de desmontar uma das teses da acusação — a de que o réu praticou crime patrimonial contra a Referência Filmes, empresa do pai, foi afastado da produtora e, por este motivo, acabou matando Luiz Carlos Rugai e a madrasta Alessandra de Fátima Troitino. O duplo homicídio do casal ocorreu em março de 2004.
O advogado Thiago Anastácio disse que a Justiça nunca ouviu o funcionário da Referência, autor da declaração de que Gil e o pai tiveram uma discussão. A informação do empregado era de que em 23 de março de 2004, cinco dias antes do crime, pai e filho ficaram trancados, das 19h às 23h, em reunião que resultou na suposta decisão de Luiz Carlos de trocar as fechaduras da casa onde morava, cenário dos assassinatos. Nesse encontro, teria ocorrido uma briga entre os dois.
Gil Rugai argumentou que qualquer perícia técnica teria mostrado que não houve desvio de dinheiro da firma. O acusado também negou que tivesse participado da reunião citada e que, naquele dia, não esteve na produtora. Relatou que encontrou o pai à noite, para ir a uma lanchonete na avenida Paulista.
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Foi nesse momento do julgamento que a defesa apresentou um trunfo aos jurados. Exibiu em um telão registros de antenas ERBs (Estações Rádio Base), fundamentais para a comunicação via celular. Segundo o documento, no dia 23 de março daquele ano, às 21h07 - portanto, dentro do horário em que supostamente estaria na reunião -, foi registrada uma ligação entre um dos telefones fixos da Referência e o celular de Gil Rugai. O documento mostrou ainda que o aparelho do réu foi captado por uma antena na rua José Maria Lisboa, nos Jardins, onde ele tinha escritório.
O acusado se dirigiu ao advogado demonstrando suposta surpresa. Sorrindo, disse que o defensor havia comentado que tinha uma “coisa boa” para ele, mas não revelou o que antes do julgamento.
— Você deveria ter mostrado isso antes. Eu ficaria aliviado.
Gil Rugai negou ainda que tenha sido expulso de casa.
— Posso ter sido demitido várias vezes da empresa, mas expulso, eu nunca fui.
Com o interrogatório de Gil Rugai, terminou o quarto dia do julgamento. Nesta sexta-feira (22), haverá debate entre acusação e defesa. Os jurados vão se reunir para decidir a sentença — se Rugai será condenado ou absolvido.
Sem perguntas do promotor
O interrogatório de Gil Rugai, retomado às 19h27 desta quinta-feira (21), recomeçou com o argumento do promotor Rogério Zagallo de que o pedido dele para continuar a questionar o réu não afrontava o direito do acusado de evitar se autoincriminar. O julgamento teve um intervalo de cerca de uma hora, após a recomendação dos advogados do réu para que ele que não respondesse às perguntas da acusação.
O assistente de acusação, Ubirajara Mangini, reforçou as afirmações do promotor, dizendo que ninguém pretendia tirar de Gil Rugai a opção de calar-se no plenário. O objetivo das perguntas era apenas garantir que os jurados tivessem o direito constitucional de saber o que seria questionado pela acusação.
Por sua vez, o juiz Adilson Paukoski destacou que, a partir da Constituição Federal, todo réu passou a ter o direito de não produzir provas contra si e de permanecer em silêncio quando interrogado. O magistrado ainda lembrou as alterações no Código de Processo Penal com a Lei 10.792/2003 e destacou que o silêncio do acusado não poderia ser interpretado em prejuízo da defesa.
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A avaliação foi de que se a acusação continuasse com os questionamentos, Gil Rugai podia ser mal-interpretado pelos jurados por não responder, o que seria usado contra ele. Paukoski passou a palavra aos advogados do acusado, impedindo que o promotor prosseguisse com as perguntas.













