Delegado diz que reconstituição mostrou contradições em assassinato em restaurante no Guarujá
Segundo Luiz Lara, histórias contadas pelos acusados ficaram inconsistentes
São Paulo|Do R7, com Rede Record

A polícia do Guarujá, no litoral de São Paulo, terminou por volta das 17h desta quinta-feira (21) a reconstituição da morte do estudante Mário dos Santos Sampaio, de 22 anos, em um restaurante na praia da Enseada, na noite de 31 de dezembro de 2012. Ele foi esfaqueado pelo dono do estabelecimento depois de uma discussão por causa de uma diferença de R$ 7 na conta. Ao final, o delegado Luiz Ricardo Lara, responsável pela investigação, disse que as versões contadas pelos acusados ficaram ainda mais contraditórias.
Os réus, José Adão Pereira dos Passos de 55 anos, dono do restaurante, e o filho dele, Diego Souza Passos, de 22 anos, gerente do estabelecimento, compareceram, mas ficaram calados. Eles deixaram o local no meio da reconstituição. O advogado dos dois, Luiz Carlos Justino, continuou até o fim dos trabalhos da polícia.
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A quadra foi interditada para os trabalhos da polícia e dos peritos. Quando chegaram e saíram do estabelecimento, José Adão e Diego ouviram gritos de “assassinos” e pedidos de “justiça” da população que acompanhava de longe.
Dez pessoas participaram, sendo seis funcionários do restaurante, três amigos de Mário e a namorada dele. O pizzaiolo, Robinson de Jesus Lima, de 44 anos, não compareceu porque está foragido. O advogado dele esteve presente, disse que ele não vai se entregar à polícia e que vai pedir a liberdade do acusado.
Ainda na versão do defensor de Robinson, ele ajudou a socorrer Mário após ele ser esfaqueado pelo dono do restaurante. Mas, durante a reconstituição, os amigos do estudante disseram que ele, inclusive, ajudou a agredir o rapaz na briga. No despacho da juíza Carla Bonis, quando aceitou a denúncia contra os três, ela disse que foi o pizzaiolo quem entregou a faca usada no crime.
O pai da vítima, Renato Sampaio Camargo, também esteve no local, mas como não estava na noite do crime, ficou do lado de fora. Mário completaria nesta quinta-feira 23 anos. Renato levou uma faixa e pendurou na frente do restaurante
Lara não entrou em detalhes sobre o que foi apontado durante a reconstituição. Ele apenas disse que a versão dos réus ficou ainda mais confusa, controversa. Segundo Lara, será feito um laudo pelo Instituto de Criminalística, que deve ficar pronto em dez dias.
Microfone
A reconstituição precisou ser pausada porque o advogado dos réus, Luiz Carlos Justino, estava com um pequeno microfone, sem fio, preso ao terno. O equipamento estava gravando, sem autorização da polícia, as conversas dentro do restaurante. Um cinegrafista acompanhava o defensor e captava o áudio do lado de fora do estabelecimento.
Um representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Guarujá foi chamado e, junto com o Luiz Lara, foram à delegacia. O defensor entregou o material à polícia e todos voltaram à reconstituição.
Relembre o caso
Pai e filho, além de um garçom do restaurante, foram denunciados à Justiça no dia 1º deste mês. Na versão da polícia, José Adão esfaqueou o rapaz pelas costas enquanto ele ligava para a PM. O dono do restaurante teve a ajuda do filho, que era gerente do local e retirou os equipamentos que armazenam as imagens das câmeras de segurança. O garçom Robinson de Jesus Lima, de 44 anos, foi quem entregou a faca usada no crime. Ele teve a prisão decretada, mas está foragido.
No despacho, a juíza Carla Bonis argumentou que “trata-se, em tese, de crime de homicídio praticado por motivo fútil, com pluralidade de agentes e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, uma vez que os golpes foram desferidos pelas costas”.
Ela ainda determinou que os réus aguardem presos ao julgamento. A defesa deles também pediu para que o processo fosse colocado em segredo de Justiça, o que foi negado pela magistrada por falta de amparo legal.
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A morte
O estudante, que morava em Campinas, no interior de São Paulo, tinha ido ao Guarujá para passar o Ano-Novo, com amigos e a namorada. A discussão aconteceu porque ele questionou o valor da refeição, R$ 19,99, anunciada por R$ 12,99. Segundo Diego, o preço menor era cobrado antes das 18h e eram 19h.
Apesar de estar a menos de 200 m de uma base da Polícia Militar, o rapaz teria ligado para o 190 durante a discussão. Foi nesse momento, segundo o inquérito, que ele foi esfaqueado pelas costas.













