São Paulo Desaparecimento de jovens negros aponta conduta da PM, diz Condepe

Desaparecimento de jovens negros aponta conduta da PM, diz Condepe

Para presidente do Conselho, casos de Lucas e Cadu, jovens desaparecidos na Grande São Paulo, evidenciam prática da Polícia: "Não é coincidência"

  • São Paulo | Guilherme Padin, do R7

Dimitri Sales: 'Há uma conduta da Polícia de desaparecimento de jovens negros'

Dimitri Sales: 'Há uma conduta da Polícia de desaparecimento de jovens negros'

Montagem/R7/Arquivo pessoal

Um intervalo de menos de dois meses separa os casos de Lucas Eduardo Martins, 14, e Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, dois jovens desaparecidos na Grande São Paulo. Sobre o mais jovem, de Santo André, encontrado morto duas semanas depois, a família apontou a Polícia como culpada. No segundo caso, cuja vítima ainda não foi encontrada, os quatro amigos que estavam com ele no dia do sumiço contam que Cadu, único negro do grupo, foi levado por policiais após abordagem aos cinco rapazes durante uma confraternização de fim de ano em Jundiaí.

Na avaliação de Dimitri Sales, presidente do Condepe-SP (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana de São Paulo), além dos perfis parecidos dos dois – jovens, negros e periféricos –, há também uma similaridade na conduta da Polícia.

“São dois jovens negros em condição de desaparecidos. Um deles, encontrado morto depois. Há uma conduta da Polícia de desaparecimento de jovens negros”, afirmou Sales ao R7. “Não é coincidência. É deliberado. No segundo caso, eram cinco jovens num bar em Jundiaí, quatro brancos e um negro, e só negro foi levado depois da abordagem”, lembrou o diretor.

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Dimitri destacou que, embora não haja provas oficiais do envolvimento policial no caso de Lucas, outros indícios além dos depoimentos da família sustentam a possibilidade: “No laudo necroscópico há o afogamento como causa. Mas as imagens mostram ferimentos que indicam possibilidade de tortura.”

No caso de Cadu, comentou Sales, “as testemunhas atestaram que os policiais levaram o jovem. Os amigos só não apareceram para testemunhar por medo da Polícia”.

Para o diretor do Condepe, a prática de desaparecimento de jovens negros é comum há muito tempo em São Paulo. “Há, inclusive, associações de mães de jovens desaparecidos. O que mudou é que agora há esse olhar voltado para a Polícia”, considera.

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Em ofícios enviados à Secretaria de Justiça de São Paulo, ao Ministério Público do Estado e outros órgãos, nesta quarta-feira (15), o Condepe, em nome de Dimitri, solicitou que providências fossem tomadas para contribuir na busca e aparecimento do jovem Carlos Eduardo.

O Conselho também destacou recentes desaparecimentos nos ofícios: “Nos últimos meses, tem ganhado destaque casos de desaparecimento de jovens em ações de agentes da segurança pública do Estado de São Paulo, que passaram a agir de modo a evitar a produção de provas quanto à autoria de crimes, tais como a prática de homicídio. Em especial, o caso envolvendo o desaparecimento de Carlos Eduardo, tem-se a manutenção do seu desaparecimento, perpetrando dúvidas, angustia e sofrimento em seus familiares e amigos.”

A reportagem do R7 solicitou à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo um posicionamento sobre a afirmação do Conselho em relação à conduta da Polícia, e aguarda retorno da pasta.

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