Entenda a investigação contra dupla de brasileiros sancionada pelos EUA e alvo de operação
Polícia Federal prendeu Stella Stefanie Nunes de Oliveira na manhã desta sexta-feira (3) e procura Victor Henrique de Oliveira Shimada
São Paulo|Do R7, com Estadão Conteúdo
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A Operação Exchange, deflagrada pela PF (Polícia Federal) na manhã desta sexta-feira (3), teve dois alvos conhecidos das autoridades brasileiras. Além disso, o fato de o governo dos Estados Unidos ter divulgado os nomes deles como alvo de sanções impostas pelo país teria comprometido as apurações da corporação.
O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada e a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira são investigados por suposto envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela foi presa nesta manhã, durante cumprimento de mandados judiciais no estado de São Paulo, e ele é considerado foragido.
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Os dois são os primeiros brasileiros a sofrer punição dos EUA, desde que o país norte-americano decidiu considerar as facções criminosas brasileiras PCC e CV (Comando Vermelho) como “organizações terroristas”, em junho último.
Para os departamentos de Justiça e do Tesouro dos Estados Unidos, Victor Henrique é um dos principais operadores financeiros do PCC na América Latina. Ele é acusado pelo país norte-americano de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 150 milhões na cotação atual) oriundos do tráfico internacional de drogas.
O crime teria sido praticado por meio do sistema financeiro internacional, com empresas sediadas em São Paulo e em Portugal. Além disso, Victor Henrique chegou a ser alvo de denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPSP (Ministério Público de São Paulo) contra dirigentes do Corinthians.
O empresário seria responsável por uma firma que teria lavado dinheiro desviado de um contrato de patrocínio fechado entre o clube e a casa de apostas Vaidebet. Ainda segundo o MPSP, a empresa integrou uma cadeia de movimentação de recursos antes de efetuar um repasse à gestora de carreiras esportivas UJ Football Talent.
Para o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), um dos negócios controlados por Shimada, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, foi usada em transações suspeitas, em janeiro de 2025, inclusive para os supostos desvios do Corinthians.
O MPSP sustentou que um falso contrato de intermediação teria sido usado para desviar R$ 1,4 milhão do time paulista, por meio de uma comissão paga no contrato com a Vaidebet. A investigação dos delitos de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro levou à prisão domiciliar do empresário.
Empresário na mira da PF
Antes da operação desta manhã, Victor Henrique de Oliveira Shimada já estava na mira da PF. Um relatório produzido pela corporação o aponta como integrante de uma quadrilha de lavagem de dinheiro vinculada a fraudes bancárias, praticadas por meio de golpes digitais.
O documento também aponta que a conta da Victory Trading chegou a receber 2.799 transferências fraudulentas em 11 horas, o que somou R$ 35,1 milhões desviados de um banco. Outras três empresas do empresário também foram incluídas na lista de sancionados pelos EUA.
Os investigadores da PF definiram Shimada como um “grande lavador de dinheiro” e uma figura conhecida no mercado norte-americano pela operação de uma rede complexa e estruturada que ajudava no branqueamento e na ocultação patrimonial do PCC.
Para o governo norte-americano, Shimada representa um elo entre traficantes internacionais e operadores do PCC instalados no estado da Flórida. As autoridades estadunidenses afirmam que a quadrilha recebia dinheiro do tráfico nos Estados Unidos, usava criptomoedas para movimentar esses recursos internacionalmente e lavava as quantias com empresas de Victor Henrique, o que dificultava o rastreio dos valores.
Confira as empresas dele que sofreram sanções:
- Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.;
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.;
- Wave Construções Inteligentes Ltda.; e
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, sediada em Portugal.
Secretária, parente e colaboradora
Parente próxima de Victor Henrique Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira também foi alvo das sanções, por supostamente integrar uma rede de apoio financeiro ao PCC. Ela é suspeita de auxiliar o empresário na movimentação do dinheiro obtido com as atividades criminosas.
O Tesouro dos Estados Unidos a considera uma colaboradora próxima a Shimada e, segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do país norte-americano, que ela teria auxiliado na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie, bem como prestado apoio logístico às operações da rede ligada ao PCC.
As sanções foram anunciadas pelo Ofac, responsável por impor medidas econômicas contra pessoas e empresas ligadas a crimes transnacionais.
A determinação estabelece sejam bloqueados eventuais bens e ativos dos alvos sob jurisdição dos Estados Unidos, além de proibir que cidadãos e empresas do país norte-americano fechem transações financeiras com a dupla. Caso isso ocorra, essas pessoas e instituições também podem acabar sancionadas.
Representante de Victor Henrique, o advogado Yuri Cruz informou que a defesa não teve acesso aos detalhes do processo, até a mais recente atualização desta reportagem, e que “tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, fará uma análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis".
A reportagem ainda tenta contato com a defesa de Stella Stefanie. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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