Ministério da Justiça questiona ação dos EUA contra brasileiros por suposta ligação com PCC
Governo contesta medida da gestão Trump e diz que o país tem capacidade institucional para combater o crime organizado
Brasília|Do Estadão Conteúdo
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou “preocupação” com as sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra dois cidadãos brasileiros e três empresas do país por suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou, em nota, que “o combate ao crime organizado transnacional não deve servir de pretexto para medidas unilaterais que desconsiderem a cooperação jurídica internacional e os tratados internacionais em vigor”.
“A decisão não surpreende o governo brasileiro: trata-se de desdobramento que já se antevia, após a classificação do PCC pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira. Ainda assim, medidas unilaterais suscitam preocupação, uma vez que podem ser sucedidas por providências ainda mais gravosas, adotadas à margem dos mecanismos ordinários de cooperação internacional”, afirmou o ministério.
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O governo brasileiro disse que o país “possui instrumentos jurídicos, capacidade institucional e compromisso político para enfrentar o crime organizado”, citando investimentos de R$ 11 bilhões em ações contra o crime organizado.
Alvos brasileiros
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o PCC, agora apontado pelo governo norte-americano como a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental, com atuação também no Reino Unido, Turquia e Japão.
Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), o grupo explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais.
De acordo com o comunicado, Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores ao Brasil.
Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita como colaboradora próxima de Shimada.
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