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Jovens assassinados em suposta emboscada são enterrados sob comoção em São Paulo

Quatro das cinco vítimas foram enterradas neste sábado no cemitério da Vila Alpina

São Paulo|Talyta Vespa, do R7

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A mãe de Jonathan (loira ao centro) era uma das mais revoltadas e teve de ser contida porque queria abrir o caixão do filho
A mãe de Jonathan (loira ao centro) era uma das mais revoltadas e teve de ser contida porque queria abrir o caixão do filho

Desespero de mães e familiares. Gritaria. Clamores por “Justiça”. Aplausos. Revolta. Desmaio. Em meio à comoção, foram enterrados na tarde deste sábado (12) quatro dos cinco jovens mortos em uma emboscada em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Os corpos de César Augusto Gomes Silva, 19 anos, Caique Henrique Machado Silva, 18, Jonathan Moreira Ferreira, 18, e Robson Fernando Donato de Paula, 16, chegaram poucos antes das 16h ao cemitério da Vila Alpina, zona leste da capital, onde eram aguardados por uma multidão de amigos e familiares.


A pedido das famílias, eles foram enterrados juntos como homenagem à antiga amizade dos rapazes. A quinta vítima da chacina, Jones Ferreira Januário, 30, será sepultado neste domingo (13) no cemitério da Vila Formosa.

O clima de revolta geral e o desespero das mães marcou a espera pelos corpos.


"Não quero falar com ninguém. Só enterrar meu filho em paz", disse Roseli Nazaré Machado, mãe de Caique, pouco antes de o filho chegar.

O velório durou apenas uma hora e, às 17h, os caixões eram levados para as sepulturas. Adriana Moreira, mãe de Jonathan, uma das mais abaladas, gritava aos prantos enquanto tentava abrir o caixão do filho. Uma pessoa chegou a desmaiar. Em determinado momento, a gritaria e a comoção foram substituídas pelo clamor por "Justiça".


Estavam presentes também membros do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo) e ativistas da organização não governamental Rio de Paz — que realizou um protesto exigindo explicações do governo estadual paulista, já que investigações apontam que a chacina foi arquitetada por guardas municipais e policiais militares para vingar o assassinato de um guarda civil metropolitano, ocorrido em setembro.

Após os caixões baixarem, crianças lançaram flores nas valas e o choro diminuiu. Um religioso presente na despedida pediu que a última memória dos jovens fosse a imagem dos "quatro felizes, bem arrumados, saindo para a festa". Às 17h20, estavam todos enterrados.


Falsa festa e emboscada

Os cinco jovens desapareceram em 21 de outubro, na zona leste de SP, quando se dirigiam para uma suposta festa em Ribeirão Pires, na região metropolitana. Caique havia conhecido pelo Facebook uma jovem loira, "Terezinha", que convidou o rapaz e seus amigos para um encontro em uma chácara. Jones, vizinho dos rapazes, decidiu dar carona ao grupo.

Naquela noite, Jonathan revelou a uma amiga, em áudio enviado pelo WhatsApp, que o veículo havia sido parado por uma blitz policial durante o trajeto. Na gravação, ele relata ter sofrido "enquadro" e "esculacho" da polícia. Foi o último contato dos rapazes. O carro foi achado vazio no dia seguinte. Após o sumiço, o perifl da garota foi apagado da rede social.

Seus corpos foram encontrados enterrados em uma cova rasa no dia 6 de novembro, em uma mata de Mogi das Cruzes. Havia sinais de tortura e execução, como tiros na cabeça. Um dos jovens chegou a ser decaptado. As sepulturas estavam cobertas por cal, material utilizado para acelerar o processo de decomposição.

Uma das linhas de investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo) é de que a chacina tem relação com a morte de Rodrigo Lopes Sabino, 30 anos, GCM (guarda-civil municipal) de Santo André, também na Grande São Paulo. Sabino atuava como segurança de Oswana Fameli, vice-prefeita do município. Ele foi morto no dia 24 de setembro, em frente à casa de sua mãe, durante uma tentativa de assalto. Um dos jovens mortos na chacina estaria sendo investigado por participação no latrocínio (roubo seguido de morte). Familiares dos jovens alegam sofrer perseguição e ameaças nos últimos dias.

O envolvimento de policiais na chacina e a tese de vingança ganhou força na última quinta-feira (10), quando o guarda Rodrigo Gonçalves Oliveira foi preso após admitir ser o proprietário do perfil falso de "Terezinha" no Facebook. Segundo a diretora do DHPP, Elizabete Sato, Oliveira disse ter usado a identidade falsa para atrair os jovens para a festa fictícia em Ribeirão Pires. Oliveira afirmou que já tinha a conta na rede social havia um ano e que no último mês começou a se corresponder com dois dos jovens mortos — César Augusto Gomes Silva e Caique Henrique Machado Silva.

O guarda-civil disse ter se aproximado dos jovens após um informante indicar que um deles teria participado do assassinato de Sabino. Oliveira disse ainda que tinha a intenção de prender os jovens e levá-los a uma delegacia. Para isso, marcou o encontro em uma rodovia da região usando o perfil falso de "Terezinha". A partir deste lugar, na farsa que havia elaborado, o grupo seria levado para a festa. Oliveira nega que tenha matado os jovens e disse que foi embora do local marcado porque os jovens não apareceram. O DHPP investiga o envolvimento de outros policiais no crime.

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