"Na minha visão, ele fez o pai se ajoelhar primeiro e depois matou", diz delegado sobre Gil Rugai
Segundo investigação, madrasta foi morta na cozinha da casa onde ocorreu o crime
São Paulo|Vanessa Beltrão, do R7

O delegado Rodolfo Chiarelli, que investigou a morte de Luiz Carlos Rugai e sua mulher, Alessandra de Fátima Trotino, defendeu em depoimento realizado nesta terça-feira (19), segundo dia do julgamento de Gil Rugai, que o acusado colocou o pai, Luiz Carlos Rugai, de joelhos e então o assassinou.
— Na minha visão, ele [Gil Rugai] fez o pai se ajoelhar primeiro e depois matou.
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De acordo com a investigação, Luiz Carlos Rugai estava na sala de TV quando o filho teria entrado na casa. Gil Rugai teria matado a madrasta primeiro. Segundo laudo da perícia, ela foi baleada cinco vezes na cozinha.
O pai então teria visto, através de uma janela do cômodo onde estava, o filho na residência. Diante da cena, Luiz Carlos teria puxado uma estante que estava na sala de TV para se abrigar atrás dela. Na versão do delegado, o réu então teria dado um chute na porta do cômodo que estava trancada para tentar entrar. Os dois teriam discutido e Gil teria obrigado o pai a deixar o local. A vítima foi morta em um corredor.
Mas a defesa do réu questionou a versão do delegado e tentou levantar outras linhas de investigação. Os advogados Thiago Anastácio e Marcelo Feller argumentaram que há a possibilidade de o atirador ter assassinado o casal em busca de um vídeo. Para isso, utilizaram no plenário uma imagem em que mostra a TV da sala de vídeo da mansão onde morava o casal fora do ar. O aparelho estava na sala onde Luiz Carlos teria se escondido antes de ser assassinado. Para os defensores, os chuviscos na tela dão a entender que alguém teria retirado uma filmagem. Os defensores, porém, não especificaram o conteúdo das imagens e apenas questionaram:
— Nunca passou pela cabeça da polícia que alguém estava atrás de um vídeo?
À pergunta, o delegado respondeu que não.
Além disso, diferentemente da visão do delegado Chiareli, os advogados defenderam que a estante da sala de TV foi arrastada porque o atirador poderia estar tentando verificar a existência de um cofre atrás do móvel.
Maconha
A defesa questionou também o fato de cerca de 360 gramas de maconha terem sido encontradas na casa onde ocorreu o crime. Uma parte da droga estava no closet do quarto do casal.
Questionado pelos advogados, Chiarelli informou que entendeu, à época que coordenou as investigações, se tratar de uma droga para o consumo do casal e que por isso não viu necessidade de investigar a origem.
— Pelo que entendi, a droga era do casal para consumo próprio.
Relembre o caso
O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.
Alessandra foi baleada cinco vezes na porta da cozinha, segundo laudo da perícia. Luiz Carlos teria tentado se proteger na sala de TV. A pessoa que entrou no imóvel naquela noite arrombou a porta do cômodo com os pés e disparou quatro vezes contra o publicitário.
O comportamento aparentemente frio de Gil Rugai, na época com 20 anos, ao ver o pai e a madrasta mortos chamou a atenção da polícia, que passou a suspeitar dele.
Os peritos concluíram que a marca encontrada na porta arrombada era compatível com o sapato de Rugai, que, ao ser submetido pela Justiça a radiografias e ressonância magnética, teria apresentado lesão no pé direito.
Na mesma semana do duplo homicídio, os policiais encontram no quarto do rapaz, um certificado de curso de tiro e um cartucho 380 deflagrado, o mesmo calibre da arma usada no assassinato do casal.
As investigações apontaram ainda que ele teria dado um desfalque de R$ 228 mil na empresa do pai, a Referência Filmes, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da firma. Poucos dias antes do assassinato, ele foi expulso de casa.
Um ano e três meses após o duplo homicídio, uma pistola foi encontrada no poço de armazenamento de água de chuva do prédio onde o rapaz tinha escritório, na zona sul. Segundo a perícia, seria a mesma arma de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas.
Rugai responde pelo crime em liberdade e será julgado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe.
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Assista ao vídeo:
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