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"Não deu tempo nem de piscar", diz vítima de atropelador da USP

Justiça de SP concedeu liberdade provisória a motorista e estipulou fiança de R$ 55 mil

São Paulo|Do R7

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Atleta de 67 anos morreu em atropelamento
Atleta de 67 anos morreu em atropelamento

Ainda confusa por causa dos fortes analgésicos prescritos pelos médicos, a biomédica Anelive Torres, de 35 anos, descreveu o momento em que ela e mais quatro corredores foram atropelados no sábado por um motorista embriagado dentro do campus da USP (Universidade de São Paulo), no Butantã, na zona oeste.

— Não deu tempo nem de piscar. Só vimos um carro em alta velocidade acertando o seu Álvaro e vindo na nossa direção. Foi horrível.


Anelive teve os ligamentos do joelho esquerdo rompidos e escoriações por todo o corpo. Ela recebeu alta no sábado à noite (16), mas deverá voltar ao hospital nas próximas semanas para passar por uma cirurgia no joelho. O analista de sistemas Álvaro Teno, de 67 anos, morreu no acidente. Uma das melhores amigas de Anelive, a médica Eloísa Pires do Prado, de 43 anos, sofreu fraturas nas pernas, quadril e cabeça e continua internada, sem risco de morrer. O motorista Luiz Antonio Machado, de 43 anos, foi preso em flagrante e vai responder por homicídio culposo (sem intenção), lesão corporal e embriaguez ao volante.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Anelive contou que, assim como faz todos os sábados, corria com Eloísa e o treinador na Cidade Universitária. As duas treinavam para participar pela primeira vez de uma maratona, em Buenos Aires, em outubro. 


— Ia completar meus primeiros 28 km. Estávamos correndo desde as 7h30.

Flagrado pelo bafômetro, atropelador da USP é preso sob acusação de homicídio culposo


Mulher atropelada dentro da USP passa por cirurgia

Por volta das 9h, Machado invadiu a faixa da direita da pista, onde ficam os corredores, e atropelou o grupo. 


— Foi muito rápido. Lembro dele nos atingindo e depois só fui acordar quando estava sendo atendida pelos bombeiros.

Anelive soube que uma das vítimas tinha morrido e que o motorista dirigia alcoolizado depois de ser levada para o hospital.

— Não foi uma fatalidade. Todo mundo sabe que é proibido dirigir embriagado. A sensação que fica é de impotência. Você sai de casa de manhã, deixa seus filhos para treinar e realizar o sonho de completar uma maratona e passa por isso.

Ela é mãe de um garoto de cinco anos e de uma menina de dois anos.

— No meu caso, o sonho foi adiado, mas o seu Álvaro perdeu a vida. Espero que a Justiça seja feita.

Anelive diz ainda que espera que a USP implemente nos fins de semana divisões de espaço para corredores, ciclistas e carros.

— Já presenciei vários ciclistas sendo atropelados por carros, já vi uma bicicleta atropelar uma corredora.

Procurada, a USP não se pronunciou sobre o assunto.

Corredores planejam para o próximo sábado (23) um ato na Cidade Universitária contra a morte de Teno, que foi enterrado no domingo (17). O horário ainda será definido. Atletas pedem que, neste dia, corredores vistam preto. Também no domingo, em evento em Santa Catarina, vários atletas correram de branco, pedindo paz no trânsito, e homenagearam Teno.

Liberdade concedida

A Justiça de São Paulo negou o pedido do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) de converter o indiciamento do pedreiro Luiz Antonio Conceição Machado de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) para doloso (quando há intenção ou assume o risco) e da prisão em flagrante para prisão preventiva. De acordo com o promotor Fernando Henrique de Moraes Araújo, que atua no caso, a decisão foi tomada no domingo (17).

— O juiz seguiu a mesma linha do delegado, de homicídio culposo, e concedeu liberdade provisória a Machado sujeita ao pagamento de fiança de R$ 55 mil.

Para a promotoria, o motorista que atropelou os cinco corredores no campus da USP no último sábado (16) assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado. "Assim agindo, em princípio, o indiciado revelou conduzir o veículo com dolo eventual, assumindo o risco de matar aqueles corredores que praticam seu esporte dentro da Cidade Universitária", diz em seu pedido a promotora de Justiça Juliana Amélia Gasparetto de Toledo Silva.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o pedreiro continua preso na carceragem do 91º DP (Ceagesp) na manhã desta segunda-feira (18). Araújo diz que a promotoria entrará com recurso nesta segunda-feira para que a Justiça reveja sua decisão. Para isso, ele pediu que testemunhas do acidente lhe enviassem fotos e vídeos do caso que deverão ser anexados ao pedido.

Gurman

Em um dos casos recentes de morte por atropelamento de maior repercussão, o que resultou na morte do administrador Vitor Gurman, de 30 anos, em 2011, a condutora do veículo estava alcoolizada e foi indiciada por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar). A nutricionista Gabriela Guerreiro Pereira não foi presa. No ano passado, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia à Justiça contra Gabriela por homicídio doloso qualificado.

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