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Análise: clínicas não podem transformar a existência de autistas em ‘mercadoria’

Polícia Civil desmonta esquema de estabelecimentos suspeitos de fraudar tratamentos destinados a crianças com transtorno do espectro autista

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Operação policial em São Paulo investiga clínicas fraudulentas que tratam crianças com autismo.
  • Criminosos emitiam laudos médicos falsos e faziam cobranças indevidas aos planos de saúde.
  • Arthur Ataide, da Autistas Brasil, alerta para riscos e práticas ilegais que afetam as famílias.
  • Importância de escolher clínicas com abordagens adequadas e não simplistas para o tratamento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um esquema de clínicas suspeitas de fraudar tratamentos destinados a crianças com transtorno do espectro autista foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (30).

Os criminosos simulavam atendimentos, emitiam laudos médicos falsos e até entravam com ações na Justiça para obrigar operadoras de saúde a custear procedimentos inexistentes ou com valores muito acima do normal. A Autistas Brasil — Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas — repudiou os fatos e alertou para práticas sem base científica.


Pessoa segura crachá de atendimento prioritário para autismo, com cordão colorido
Clínicas investigadas simulavam atendimentos e emitiam laudos médicos falsos Reprodução/Record News

Em entrevista ao News das 19h, Arthur Ataide, vice-presidente da Autistas Brasil, diz que escândalos como este estão se tornando cada vez mais recorrentes no cenário nacional.

“Essas clínicas trabalham dentro de uma metodologia terapêutica, que é a análise do comportamento aplicado. Muitas vezes, essas clínicas acabam, para conseguir lucrar mais, fazendo as famílias assinarem laudos de atendimentos que não ocorreram, recibos de serviços que essas famílias não tiveram acesso e inflam a quantidade de horas que essas crianças, de fato, passaram por atendimento terapêutico”, explica.


Segundo Ataide, essas clínicas que cometem fraudes colocam em risco os direitos que as famílias lutaram muito para conquistar. Ele ainda alerta que alguns tipos de abordagem oferecidos nesses estabelecimentos podem produzir violência severa, o que pode prejudicar a criança para o resto da vida.

“O que não pode acontecer é clínicas pegarem as necessidades de saúde de pessoas autistas e tornarem a nossa existência uma mercadoria. Uma mercadoria que é feita a partir de um lucro sem nenhum tipo de critério em relação ao próprio cuidado”, aponta.


Sobre o cuidado ao procurar tratamento para pessoas que fazem parte do espectro autista, Ataide destaca que é importante buscar clínicas que não tentam fechar todo o tratamento em uma única consulta e que tenham uma abordagem neuroafirmativa.

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