Anel vaginal contraceptivo chega à África
Método anticoncepcional já é utilizado em oito países latino-americanos
Saúde|Do R7
O anel vaginal, método contraceptivo desenvolvido no Chile, será lançado na África para prevenir gravidezes indesejadas no primeiro ano após o parto, quando muitas mulheres acreditam que não podem engravidar. Centenas de milhares de africanas podem começar a utilizar em breve esse método, informou nesta quarta-feira à Efe Saumya RamaRao, da ONG americana Population Council, no segundo dia da III Conferência Internacional de Planejamento Familiar realizada desde ontem em Adis-Abeba.
O método anticoncepcional já é utilizado em oito países latino-americanos e agora quer ganhar a África como um método específico para controlar a natalidade no primeiro ano após o parto. "Dois terços das mulheres africanas não usam anticoncepcionais nessa fase porque acreditam que não ficarão grávidas", advertiu Saumya.
O aro, que atua no organismo por três meses, pretende ser uma alternativa eficaz às injeções, pílulas e óvulos de progesterona no continente. A demógrafa listou as vantagens.
— É fácil de lembrar, não tem impacto na libido, permite uso a longo prazo e muito poucos homens o percebem. Seu uso, ainda aguardando a aprovação final pelas autoridades de saúde dos países africanos, dependerá em grande medida de sua aceitação na sociedade dessas nações. Não sabemos se será aceito pelos companheiros dessas mulheres, nem o quê os líderes religiosos e comunitários dirão.
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A especialista se mostrou esperançosa de que o produto encontre uma lacuna no mercado africano de anticoncepcionais, onde também está ganhando força o uso de anticoncepcionais injetáveis e o preservativo feminino. O aro está sendo testado no Quênia, no Senegal e na Nigéria, país este último onde a implantação de medidas de planejamento familiar é crítica para atalhar sua alta taxa de crescimento.
— Os políticos e investidores dizem que estamos em uma boa posição para conseguir estudos que aprovem sua aceitação.
Na África, cerca de 50 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos modernos. A conferência internacional, o fórum mais importante sobre o assunto até o momento, reunirá esta semana mais de 3.000 pessoas — entre dirigentes políticos, especialistas e ativistas — na capital etíope.













