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Após reduzir atendimento por crise financeira, Hospital São Paulo corre o risco de fechar

Com dívidas de R$ 160 milhões, hospital precisa de R$ 18 mi para manter atendimentos

Saúde|Dinalva Fernandes, do R7

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Hospital reduziu atendimento e suspensão de internações eletivas desde o dia 30 de março, mas não foi suficiente para conter crise financeira
Hospital reduziu atendimento e suspensão de internações eletivas desde o dia 30 de março, mas não foi suficiente para conter crise financeira

A diminuição de atendimento e suspensão de internações eletivas desde o dia 30 de março não foi suficiente para frear a crise financeira do Hospital São Paulo. Com déficit de R$ 160 milhões (R$ 149 milhões com bancos e R$ 11 milhões com fornecedores), a instituição chegou ao limite e necessita urgentemente de mais recursos para não fechar as portas, segundo o diretor-superintendente do hospital, José Roberto Ferraro.

— Se o hospital fechar, todos nós perdemos. O Brasil perde se fecharmos uma especialidade, um laboratório. Somos um hospital que não recusa paciente há 84 anos. Não estamos pedindo dinheiro para pagar as dívidas, mas apenas R$ 1,5 milhão por mês para o hospital se equilibrar. É um pedido de socorro.


A quantia de R$ 18 milhões — a soma de R$ 1,5 milhão em 12 meses – foi a verba extra solicitada pelos administrados do hospital, que faz parte do complexo da Unifesp (Universidade Federal e São Paulo), ao Ministério da Saúde. Porém, o pedido ainda não foi atendido.

O pronto-socorro recebe diariamente 1.500 pacientes provenientes da Grande São Paulo e do interior, sendo que cerca de 40% das cirurgias feitas no hospital são oncológicas e de alta complexidade. Além da parte hospitalar, a área de pesquisa e estudos também fica ameaçada com a crise. Segundo a administração do hospital, dentro do complexo hospitalar, circulam 756 alunos de graduação, 1.107 médicos residentes, mais de 2.000 pós-graduandos. Além disso, mais de 40% dos nossos alunos são de outros Estados, conta Ferraro.


— Não é só um problema regional. Somos um hospital nacional sob muitos pontos de vista. O hospital está numa penumbra, mas está vivo. Precisamos de ajuda para obter justa remuneração. Apresentamos ao ministro a proposta de aumento no contato de R$ 3 milhões. Conseguimos a promessa de que quando o ministério receber o aporte, esse valor entrará no nosso contrato. Se não chegar, não sei o que vamos fazer, mas vamos continuar lutando.

Segundo o presidente da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), Ronaldo Ramos Laranjeira, a crise do hospital se agrava desde 2012.


— Só em 2016, o nosso déficit foi de R$ 34,6 milhões. São acumulados R$ 149 milhões com bancos e R$ 11 milhões com fornecedores. Estamos deixando de pagar as nossas dívidas ou pagando em 150 dias porque somos mal financiados. Estamos fazendo a nossa tarefa de diminuir despesas, mas não é o suficiente. Precisamos desse dinheiro para equilibrar nosso fluxo de caixa, não para pagar uma dívida, mesmo estando no limite do nosso endividamento, mas o ministro não entende a complexidade. O banco não nos empresta mais. Os nossos valores são contra a diminuição do atendimento, mas vamos ter que fazer isso.

Por ser também um hospital universitário, inúmeras pesquisas também estarão em risco, caso a crise se agrave, afirma a reitora da Unifesp, Soraya Smaili.


— Dentre essas pesquisas, salientamos a de zika vírus, a diminuição de mortalidade no atendimento de cardiologia, que é menor do que em alguns países desenvolvidos, problema de metabolismo em crianças, cirurgias cada vez menos invasivas e assim por diante. Tudo isso só é possível isso porque existem profissionais que estão estudando e isso não tem custo. Se fecharmos, vai demorar pelo menos uma década para conseguir de novo. É um atraso também no desenvolvimento econômico.

Ainda não há data para aumentar o repasse de verba federal no contrato. De acordo com Ferraro, o ministro apenas falou que espera o congresso aumentar o orçamento da pasta.

— Se recebermos os R$ 18 milhões, a situação vai melhorar, mas continuaremos com a faca o pescoço e um déficit menor. Se uma entidade nos doasse R$ 160 milhões hoje e as nossas dívidas fossem quitadas, o déficit começaria de novo porque o modelo de financiamento não é adequado.

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se manifestou. 

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