Logo R7.com
RecordPlus

Escola de habilidades, fono e até toxina botulínica ajudam a desenvolver pacientes com paralisia cerebral

Uso do botox é um dos tratamentos mais modernos que melhora até autoestima

Saúde|Osvaldo Albuquerque, do R7

  • Google News
Médica fisiatra Mônica Calazans, responsável pela aplicação da toxona botulínica, com o paciente Alfredo
Médica fisiatra Mônica Calazans, responsável pela aplicação da toxona botulínica, com o paciente Alfredo

“Nós trabalhamos para realizar sonhos e dar qualidade de vida à eles”. É assim que Mônica Calazans, médica fisiatra da Associação Cruz Verde, trabalha na Associação Cruz Verde, que cuida de pacientes com paralisia cerebral grave, em São Paulo, para ajudar a cuidar dos 204 pacientes internados no local. 

Para o tratamento dos moradores, a Cruz Verde conta com uma equipe multidisciplinar, ou seja, fonoaudióloga, fisioterapia, hidroterapia, psicóloga e "escola especial" para complementar desenvolvimento pedagógico, de acordo com a fisioterapeuta Maria Piperás.


— Cada quadro exige uma terapia peculiar, pois as atrofias são específicas e a forma de tratá-las também. Aos que fazem hidroterapia e/ou fisioterapia as sessões normalmente ocorrem uma vez por semana.

Já a "escola" tem o objetivo de criar uma atividade lúdica de interação entre os pacientes e voluntários desenvolvendo habilidades como pintura, jogos, desenhos e artesanato, uma vez que muitos deles tem deficiência intelectual e condições motoras severas e é muito importante no tratamento deles,disse a superintendente da associação, Marilena Pacios.


— É importante para desenvolver o lado social deles, por meio de pinturas e convivência em grupo.

Toxina botulínica e a qualidade de vida


Um dos tratamentos mais modernos que melhora (e muito) a qualidade de vida desses pacientes é o uso da toxina butulínica, popularmente conhecido como Botox. Mônica, a médica qie realiza o procedimento, explica que, com aplicação do produto, há uma redução da rigidez dos músculos e atrofias.

— A toxina deixa os movimentos mais leves, o que ajuda na coordenação de todos os músculos e o período entre cada sessão, é de no mínimo três meses, sendo que pode variar dependo do organismo de cada um.


Ela ainda diz que o tempo de aplicação não pode ser menor, já que o organismo pode entender aquilo como vacina e criar anticorpos ao medicamento trazendo danos ao procedimento. Além disso, há uma melhora na autoestima, pois possibilita que a equipe multidisciplinar execute melhor as tarefas diárias nos pacientes. Existe também a diminuição da quantidade de saliva, o que evita a ida dela para os pulmões, o que pode levar à pneumonia. Quanto mais cedo se iniciar a técnica, maiores são as chances de melhora no quadro clínico.

Porém, nem todos pacientes têm indicação às aplicações.

— A técnica é indicada para a paralisia cerebral apenas e nós procuramos dar prioridade aos mais novos, onde a atrofia normalmente é menor, e o resultado é mais significativo. Outro ponto ressaltado são as expectativas dos pacientes. Ilma Maria, 48 anos, por exemplo, conseguiu calçar sapatos graças ao procedimento. Já Carlos Eduardo, o Dudu, 50 anos, está prestes a realizar o sonho de alimentar-se sozinho.

Dentre os 204 pacientes internados, cerca de 40 já passaram pela terapia, conforme disse Mônica. O custo médio de cada aplicação é de R$ 5.000 e para este ano de 2017 a expectativa é fazer 480 procedimentos. Os R$ 3,6 milhões do projeto vieram por meio do Pronas (Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência) em que pessoas físicas e jurídicas fazem doações com dedução fiscal.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.