Presença de cocaína e atrazina na água do Tietê preocupa especialistas
Pesquisa da SOS Mata Atlântica revelou altos índices de substâncias prejudiciais à saúde no rio
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Uma pesquisa realizada pela SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades e com o apoio do Instituto Itaúsa, encontrou 25 tipos de agrotóxicos em amostras coletadas em 14 pontos do Rio Tietê. Foram identificados herbicidas, fungicidas e inseticidas utilizados em culturas como cana-de-açúcar, soja e citros. O estudo também revelou a presença de atrazina, um herbicida usado no controle de ervas daninhas, que é proibido na União Europeia desde 2004 devido a riscos ao meio ambiente e à saúde.
Cesar Pegoraro, biólogo da Fundação SOS Mata Atlântica, compartilhou ainda que o estudo avaliou a existência de drogas lícitas, como antibióticos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, anticoncepcionais, além de cafeína, e ilícitas, como cocaína e seus derivados, na água do rio. Segundo o biólogo, essas substâncias são mais presentes em pontos localizados a oeste da metrópole de São Paulo: “A gente entende que há uma sociedade doente pelo grande consumo de medicamentos e drogas e doente pelo saneamento básico insuficiente.”

Para Cesar, esses indicadores de esgoto na água comprovam que a sociedade ainda está muito longe de alcançar um tratamento de esgoto universalizado e abrangente. “Talvez a própria população ainda não entenda o papel que o saneamento básico tem na qualidade de vida e na garantia da água em quantidade e com qualidade”.
Dentre os produtos encontrados no Rio Tietê, a atrazina é a mais preocupante. Em 2024, a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou a atrazina como uma substância com potencial cancerígeno, e seu uso foi proibido nos países da União Europeia em 2004.
Essa substância é bioacumulativa e entra na cadeia alimentar de animais que vivem na água, além dos humanos que consomem pescado, que podem acabar intoxicados.
“Muitas cidades ao longo do Rio Tietê consomem essa água para abastecimento das populações. Então a gente entende que é um risco esses produtos estarem na água”, avalia Cesar.
A atrazina e outros agrotóxicos são encontrados em altas concentrações na região do médio e baixo Tietê, onde o agronegócio predomina. Isso indica uma relação direta entre o uso do solo e o aumento dos índices de contaminação. Segundo o especialista, isso revela a necessidade de um diálogo entre autoridades e produtores para reduzir os impactos sobre a água, que afetam toda a sociedade.
Pegoraro destaca medidas que devem ser tomadas: a população deve entender a urgência de um saneamento básico universalizado e deve pressionar o governo para que existam essas condições em seus bairros. Além disso, ele relembra a legislação brasileira sobre a qualidade da água, que deve ser levada a sério e conhecida, para que a população e os produtores tenham interesse em saber sobre a procedência da água que está sendo usada no dia a dia: “Trata-se de uma transparência que a gente tem que ter na sociedade”, conclui.
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