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Estudo mostra que vacina contra a Covid-19 reduz hospitalizações

Apesar da comprovação, agência dos Estados Unidos bloqueou publicação da pesquisa

Saúde|Brenda Goodman, da CNN Internacional

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Uma foto ilustrativa mostra uma dose da vacina contra a doença do coronavírus da Pfizer-BioNTech
Uma foto ilustrativa mostra uma dose da vacina contra a doença do coronavírus da Pfizer-BioNTech Hannah Beier/Reuters - 04.09.2025

As vacinas contra a Covid-19 reduziram em cerca de metade as chances de um adulto nos Estados Unidos precisar ir ao pronto-socorro ou ser hospitalizado devido à infecção no outono e no inverno passados, segundo duas fontes familiarizadas com os resultados de um novo estudo. Mas isso não será divulgado pela agência que liderou a pesquisa: os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).


O atual chefe do CDC, Dr. Jay Bhattacharya — que também é diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) — bloqueou a publicação desses resultados no principal periódico da agência, o Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), de acordo com as fontes.

Os autores do estudo receberam uma carta oficial de rejeição do periódico na terça-feira (21), disse uma das fontes, apesar de o trabalho já ter passado por revisões internas e estar programado para publicação.


Andrew Nixon, secretário-adjunto de imprensa do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS), confirmou que o estudo foi rejeitado.

“Relatórios científicos são rotineiramente analisados em vários níveis para garantir que atendam aos mais altos padrões antes da publicação. A avaliação editorial do MMWR identificou preocupações em relação à abordagem metodológica usada para estimar a eficácia da vacina, e o manuscrito não foi aceito para publicação”, disse Nixon à CNN.


A rejeição é incomum porque o estudo seguiu os métodos normalmente usados pela agência para estimar a eficácia de vacinas contra vírus respiratórios sazonais e utilizou a colaboração VISION, liderada pelo CDC — sigla para Virtual SARS‑CoV‑2, Influenza and Other Respiratory Viruses Network. A rede usa prontuários eletrônicos de nove sistemas de saúde dos EUA para monitorar, de uma temporada para outra, a eficácia das vacinas em diferentes faixas etárias.

Segundo fontes familiarizadas com o episódio, Bhattacharya questionou o chamado “desenho teste-negativo” do estudo. O HHS não respondeu a uma pergunta sobre quais, exatamente, teriam sido as preocupações de Bhattacharya.


Estudos com desenho teste-negativo analisam todas as pessoas que procuram atendimento médico por um sintoma específico ou conjunto de sintomas. Em seguida, comparam o status vacinal das pessoas que testam positivo para uma determinada infecção com o daquelas que testam negativo para a mesma infecção, a fim de estimar a eficácia da vacina. Esse tipo de desenho ajuda a minimizar um viés conhecido como “efeito do usuário saudável”, no qual pessoas que buscam atendimento médico podem parecer mais doentes por terem mais chances de receber um diagnóstico, em comparação com aquelas que não procuram ajuda para seus sintomas.

Esse método se tornou o padrão para medir a eficácia de vacinas, não apenas contra a Covid-19, mas também contra outros vírus respiratórios sazonais, como a influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR).

A rejeição do novo estudo é “bastante problemática de modo geral, porque se trata de um desenho de estudo muito padrão, bem estabelecido e usado há muito tempo”, disse a dra. Fiona Havers, que renunciou ao cargo de assessora sênior de políticas de vacinação do CDC em junho, após mudanças na política de vacinas da agência feitas pelo secretário do HHS, Robert F. Kennedy Jr. Ela fez parte da equipe que trabalhou em estudos com dados da VISION.

“Não é perfeito, mas é uma forma razoável de medir a eficácia das vacinas em tempo real durante a temporada e obter dados que podem ser acompanhados ao longo do tempo”, afirmou.

“Essa rede já publicou no New England Journal of Medicine, no The Lancet e em outros periódicos de altíssimo prestígio no passado”, acrescentou Havers. “Isso parece uma interferência bastante agressiva de um indicado político nos processos científicos do CDC.”

A rejeição do estudo foi noticiada pela primeira vez pelo Washington Post.

Há duas semanas, após a primeira leva de reportagens detalhando o atraso na publicação do estudo, Bhattacharya se reuniu com os autores, que se recusaram a alterar a metodologia.

“O pedido dele para uma mudança metodológica já veio tarde demais”, disse a dra. Deb Houry, que foi diretora médica-chefe do CDC até renunciar em agosto, em solidariedade à dra. Susan Monarez, destituída por Kennedy poucas semanas após assumir o cargo de diretora do CDC, por se recusar a simplesmente endossar recomendações de vacinas elaboradas por assessores indicados por ele.

“De modo geral, a metodologia era apropriada e já foi utilizada em outros estudos”, afirmou Houry. “Eu revisei o MMWR no meu papel de vice-diretora-principal interina e diretora médica-chefe por aproximadamente quatro anos e muito raramente rejeitei um artigo tão avançado no processo.”

As vacinas contra a Covid-19 têm sido um alvo particular do HHS sob a gestão de Kennedy.

Em junho, ele anunciou que as vacinas contra a Covid-19 deixariam de ser recomendadas para gestantes e crianças — uma decisão que surpreendeu e alarmou muitos cientistas da agência.

Em setembro, os novos assessores de vacinas do órgão retiraram a recomendação geral do CDC para a vacinação contra a Covid-19 para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade, passando a defender que as doses fossem aplicadas após decisão clínica compartilhada — ou seja, com recomendação ou prescrição de um médico ou farmacêutico.

Uma reunião dos assessores de vacinas, marcada para março, deveria apresentar um relatório sobre lesões relacionadas às vacinas contra a Covid-19, mas foi adiada após uma decisão judicial que suspendeu temporariamente algumas mudanças e atividades da administração relacionadas à política de vacinas.

Em audiências no Congresso realizadas na terça-feira, Kennedy voltou a negar que suas opiniões sobre vacinas tenham influenciado a queda nas taxas de imunização e contestou a acusação de que seja antivacina.

“O problema não sou eu. Há pessoas neste país que não se vacinam”, disse Kennedy durante uma audiência na Câmara dos Representantes.

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