Expedição recria travessia heroica na Antártida
Saúde|Do R7
Rocío Otoya. Sydney (Austrália), 12 fev (EFE).- Uma equipe de expedicionários da Austrália e Reino Unido realizou com sucesso uma travessia de 19 dias por terra e mar pela Antártida para recriar a heroica viagem feita em 1916 por Ernest Shackleton para salvar sua tripulação. Os seis expedicionários começaram a viagem em uma pequena barca que zarpou no dia 23 de janeiro da ilha Elefante, no arquipélago antártico Shetland do Sul e navegaram 800 milhas náuticas (1.481 quilômetros) até chegarem à Ilha Geórgia do Sul, no Atlântico Sul, onde percorreram um último trajeto a pé. Às 21h45 (horário de Brasília) de domingo, o australiano Tim Jarvis, líder do grupo, e o montanhista da marinha britânica Barry Gray, chegaram à estação baleeira de Stromness, após três dias de dura escalada pelas montanhas da Geórgia do Sul, segundo comunicado emitido pela expedição. Os dois aventureiros, que receberam a ajuda de Paul Larsen para atravessar as montanhas, enfrentaram fortes tempestades de neve durante esse difícil trajeto a pé que os levou ao mesmo lugar onde Shackleton e seu marinheiro deram o alerta para resgatar a tripulação do "Endurance". "Chegamos ali pensando que talvez não pudéssemos concluir a travessia pelas condições extremas e pelos imprevistos no trajeto por mar. Foi realmente uma viagem épica e pudemos chegar até aqui apesar dos obstáculos", afirmou Jarvis ao lembrar que os momentos mais difíceis foram quando escalaram a Cordilheira do Tridente e cruzaram a geleira Fortuna. "Tivemos mais de 20 quedas em buracos nos quais ficamos com neve até os joelhos, e Baath caiu em um onde ficou preso até os ombros. Paul e eu tivemos que arrastá-lo", explicou o australiano, após agradecer a participação de sua equipe formada por Barry Gray, Paul Larsen, Nick Bubb, Seb Coulthard e Ed Wardle. Durante a expedição por mar, os seis viajantes enfrentaram ondas de oito metros e ventos de até 50 km/h. Além disso, sofreram com poucas as horas de sono, desidratação, umidade e as baixas temperaturas a bordo do pequeno navio "Alexandra Shackleton". Ao chegarem em terra firme, três dos expedicionários sofreram o chamado "pé-de-imersão", uma forte dor causada pelo frio, enquanto o resto dos integrantes foi obrigado a acampar durante cinco dias em uma caverna pera aguardar uma melhora do clima. Na sexta-feira passada o tempo melhorou, mas Jarvis e Gray ficaram presos durante 24 horas enquanto escalavam um planalto na zona denominada Shackleton Gap. Shackleton realizou esta travessia em 1916 depois que seu navio, "Endurance", ficou preso no gelo no Mar de Weddell, o que obrigou a ele e seus 27 homens a acamparem ali. Depois cinco meses, chegaram a bordo de botes de salvamento à inóspita ilha Elefante. Nesse remoto lugar, Shackleton, que realizava uma viagem pela Antártida, decidiu partir em 24 de abril de 1916 com poucas provisões e cinco homens em direção às estações baleeiras da Geórgia do Sul a bordo do bote de 6,9 metros "James Caird". Esta travessia, de 17 dias por mar e outros três por terra com condições climáticas extremas, é considerada pelos historiadores da navegação como uma das de maior risco. Assim, o explorador anglo-irlandês pôde pedir ajuda em uma estação baleeira, após percorrer a pé uma rota nunca antes explorada, e conseguiu enviar uma mensagem ao Chile, de onde saiu o navio "Yelcho", comandado po Luis Pardo Villalón. Em 30 de agosto de 1916, a embarcação chilena resgatou os 22 membros da tripulação do "Endurance" que sobreviveram na ilha Elefante às privações e ao frio rigoroso. Essa façanha permitiu salvar a vida dos 27 homens que acompanharam Shackleton na fracassada expedição à Antártida que teve início em 1914 e que pretendia navegar ao longo de mais de 3.200 quilômetros desde o Mar de Weddell até a Estação McMurdo. EFE watt/cs (foto)














