Falecimento de Lito Sousa chama atenção para doença rara e de rápida progressão
O tema estará presente no XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia – Neuro 26, que acontece de 7 a 10 de outubro, no Rio de Janeiro
Saúde|Do R7

O falecimento de Lito Sousa, ocorrido em 1º de outubro, após o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), chama atenção para uma condição neurológica rara, grave e de rápida progressão.
A doença pode provocar alterações cognitivas, motoras e visuais em pouco tempo e ainda não possui tratamento capaz de interromper sua evolução. O caso também trouxe para o debate público uma doença que, apesar de rara, exige investigação médica especializada diante de determinados sinais.
A doença de Creutzfeldt-Jakob está entre as condições neurológicas de evolução mais rápida e pode provocar, em pouco tempo, alterações cognitivas, motoras e visuais importantes. A progressão está relacionada a um processo de degeneração do sistema nervoso central, que compromete diferentes funções neurológicas.
“A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença neurodegenerativa causada por uma forma patogênica da proteína priônica. A proteína priônica celular é fisiologicamente encontrada nos neurônios, mas quando ela muda a sua conformação, ela se torna patogênica, levando a um processo de neurodegeneração de rápida progressão”, explica o Dr. Adalberto Studart, vice-coordenador do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
A doença pode se manifestar de diferentes formas, com mudanças no comportamento, dificuldades para realizar movimentos, alterações na coordenação, rigidez, contrações musculares involuntárias e comprometimento de funções cognitivas. Como o quadro pode se confundir inicialmente com outras condições neurológicas, a avaliação médica é importante para direcionar a investigação e verificar se existe alguma causa tratável.
“Todo paciente que apresenta um declínio cognitivo de rápida progressão e sintomas visuais complexos, principalmente se associados aos sintomas motores, deve ser avaliado quanto à possibilidade de DCJ. Esses pacientes devem ser rapidamente investigados para excluir doenças que se parecem com DCJ, mas que têm tratamento que potencialmente reverte”, alerta o especialista.
A doença de Creutzfeldt-Jakob ainda não tem cura nem tratamento capaz de interromper sua progressão. Por isso, além do cuidado médico e do suporte ao paciente e à família, ampliar o conhecimento sobre a doença é importante para que seus sinais sejam reconhecidos e investigados de forma adequada. O caso de Lito Sousa também trouxe visibilidade para os desafios enfrentados por pacientes e familiares diante de doenças raras e de evolução rápida.
O tema estará presente no XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia – Neuro 26, que acontece de 7 a 10 de outubro, no Rio de Janeiro.
No dia 9, a programação terá a mesa-redonda “Neurologia do Envelhecimento e Doenças Neurodegenerativas”, com uma apresentação específica sobre “Doença de Jakob-Creutzfeldt e outras doenças priônicas”, com a Dra. Tuane Cristine Ramos Gonçalves Vieira, além de discussões sobre outras causas de comprometimento cognitivo, com o Dr. Augusto Cesar Penalva de Oliveira, a Dra. Elisa de Paula França Resende e o Dr. Marcelo Houat de Brito.
A proposta é ampliar o conhecimento entre os profissionais e trazer mais clareza sobre essas doenças, seus sinais e os caminhos para investigação.
A discussão sobre a DCJ no congresso acontece em um momento em que o caso de Lito Sousa despertou a atenção do público para uma doença que ainda é pouco conhecida fora do ambiente médico. Para a neurologia, levar informação clara à população também faz parte desse processo: explicar o que é a doença, quais sinais merecem investigação e quais são os limites atuais da ciência, evitando falsas expectativas e informações incorretas.
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