Governo cubano defende médicos de críticas dos profissionais brasileiros
Os primeiros 400 médicos cubanos chegaram neste final de semana
Saúde|Do R7

A vice-ministra de Saúde de Cuba, Marcia Cobas, defendeu nesta segunda-feira (26) os médicos da ilha que trabalharão no Brasil das críticas feitas por associações de classe e disse que eles ajudarão a quem mais precisa, durante a cerimônia de abertura treinamentos dados aos estrangeiros contratados pelo programa Mais Médicos.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) e a AMB (Associação Médica Brasileira), duas das mais importantes entidades que reúnem médicos brasileiros, fizeram duríssimas críticas aos colegas estrangeiros e entraram com ações de inconstitucionalidade contra o programa para tentar impedir os cubanos de trabalhar no País.
O CFM divulgou nota na qual condena o programa, alegando que é irresponsável trazer profissionais estrangeiros sem avaliação, e cobra que os profissionais façam o Revalida — prova do Sistema de Revalidação de Diplomas Médicos — exame necessário para qualquer profissional da área trabalhar no país, exceto dentro do Mais Médicos.
— Promover a vinda de médicos cubanos sem a devida revalidação de seus diplomas e sem comprovar domínio do idioma desrespeita a legislação, fere os direitos humanos e coloca em risco a saúde dos brasileiros, especialmente os moradores das áreas mais pobres e distantes.
Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro
O governo rebateu as críticas e afirmou que os estrangeiros têm "garantias judiciais" no País e determinou que os profissionais que não forem aprovados no curso de 21 dias serão desligados do programa e retornarão aos países de origem.
Segundo a vice-ministra cubana, os 4.000 médicos que virão ao Brasil "irão aos lugares onde o povo mais precisa, onde não há médicos", e que não aceitaram a oferta por estarem sem emprego na ilha.
— São empregados do governo cubano, recebem a totalidade de seus salários e têm proteção para suas famílias em saúde e educação e toda a tranquilidade e segurança para trabalhar em outros países.
A vice-ministra esclareceu que Cuba "não exporta médicos, mas serviços de saúde", e lembrou que os profissionais cubanos trabalham em cerca de 60 países em diversos projetos de cooperação, no caso brasileiro, vindos pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).
Os primeiros 400 médicos cubanos chegaram neste final de semana e outros 3.600 são esperados nos próximos meses. O programa Mais Médicos foi anunciado no início de julho e abriu 15.460 vagas em 701 municípios na rede de saúde pública, e pouco mais de mil candidatos brasileiros se inscreveram na primeira chamada.
Além dos cubanos, até agora foram contratados 244 médicos graduados em outros países, 145 deles estrangeiros e 99 restantes brasileiros graduados no exterior. A remuneração para os médicos do programa é de R$ 10 mil, e no caso cubano causou polêmica, porque o pagamento será feito à OPS e só um percentual será repassado aos profissionais.













