O perigo do ‘sal invisível’: brasileiros ingerem sódio muito acima do recomendado
Alimentos ultraprocessados e até produtos “fitness” escondem grandes quantidades de sódio
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O excesso de sal na alimentação continua sendo um dos maiores riscos silenciosos para a saúde cardiovascular dos brasileiros. Entre os dias 13 e 19 de maio, a Semana Mundial de Conscientização sobre o Sal reforça o alerta sobre os impactos do consumo elevado de sódio, associado ao aumento de casos de hipertensão, infarto, AVC e doenças renais.
Mas deixa eu te perguntar: você costuma colocar sal em tudo? Ou acha que consome pouco só porque não exagera no saleiro? A verdade é que muita gente ingere sal demais sem perceber.
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Segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares causam cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil. Desse total, aproximadamente 46 mil estão relacionadas ao consumo excessivo de sal.
O chamado “sódio oculto” está presente em diversos alimentos industrializados consumidos diariamente — muitas vezes sem que a gente perceba.
“O brasileiro consome, em média, entre 9 e 12 gramas de sal por dia, praticamente o dobro do recomendado pelas diretrizes internacionais”, explica Marcio Sousa, cardiologista e chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o consumo máximo de 5 gramas de sal por dia — o equivalente a uma colher de chá rasa, considerando toda a alimentação diária.
“Hoje, o principal vilão é o sódio oculto presente nos alimentos processados e ultraprocessados. Estima-se que mais de 70% do sódio consumido venha desses produtos”, afirma o doutor Sousa.
E é aí que mora o perigo. Porque o excesso de sódio não aparece só no macarrão instantâneo ou nos embutidos. Ele também pode estar escondido em alimentos que muita gente considera “do bem”.
“Existem produtos considerados ‘fitness’ ou aparentemente saudáveis que podem ter muito sódio, como barras proteicas, whey protein, granolas, isotônicos, águas saborizadas e refrigerantes zero ou diet”, destaca o cardiologista.
Sim, até aquele lanchinho “fit” da correria pode esconder mais sal do que você imagina. Já reparou na quantidade de sódio dos produtos que você consome todos os dias?
“O sódio faz o corpo reter mais líquido, aumentando o volume de sangue dentro dos vasos e sobrecarregando o coração. Com o tempo, isso favorece hipertensão, infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal crônica”, diz.
O problema é que, na maioria das vezes, o corpo não dá sinais tão claros no começo. E muita gente convive anos com pressão alta sem nem desconfiar.
A alimentação moderna também tem contribuído para que os problemas cardiovasculares apareçam mais cedo: “O consumo frequente de ultraprocessados, fast food, embutidos, energéticos e alimentos ricos em sódio faz com que muitos jovens desenvolvam pressão alta cada vez mais cedo”, alerta Marcio Sousa.
E não, isso não significa viver comendo comida sem graça.
Segundo o especialista, o paladar consegue se adaptar gradualmente à redução do sal: “Em média, essa adaptação leva de três a oito semanas. Depois desse período, alimentos naturais passam a ter mais sabor e produtos industrializados podem até parecer excessivamente salgados”, afirma.
O médico recomenda apostar em temperos naturais, como alho, cebola, ervas frescas, limão, páprica e cúrcuma. Aos poucos, o paladar muda — e muita gente passa até a estranhar alimentos muito salgados.
Outra dica importante? Começar a olhar os rótulos dos alimentos com mais atenção.
“Valores acima de 400 mg de sódio por porção já merecem cautela. Também é importante observar ingredientes como glutamato, bicarbonato, fosfato e conservadores, que indicam fontes de sódio oculto”, orienta.
No fim das contas, pequenas mudanças fazem diferença. Reduzir ultraprocessados, evitar exageros e provar a comida antes de adicionar mais sal já são passos importantes para cuidar da saúde do coração sem precisar virar a rotina de cabeça para baixo.
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