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Secretário diz que programa Mais Médicos é fundamental para melhorar saúde indígena

Em todo o País há 750 postos de saúde em aldeias, e menos de 300 médicos atendendo

Saúde|Da Agência Brasil

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Se são grandes as dificuldades do governo federal em encontrar médicos para trabalharem nos municípios do interior, o que dizer das dificuldades para contratar profissionais dispostos a se embrenharem nas florestas brasileiras a fim de atender às populações indígenas. Este é um dos desafios da Sesai (Secretaria Especial da Saúde Indígena), segundo o secretário, Antônio Alves de Souza.

— Não é à toa que a saúde indígena está entre as prioridades do programa Mais Médicos.


Em todo o País há 750 postos de saúde em aldeias, e menos de 300 médicos atendendo.

— O problema é que a absoluta maioria deles está em locais próximos a cidades, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, enquanto 68% da população indígena vive na Amazônia Legal. De acordo com Souza, os estados que apresentam maior vulnerabilidade são Acre, Amapá, Pará, Maranhão e Piauí.


— O país precisa de, no mínimo, mais 200 médicos para atender à saúde indígena. 

Seleção para Mais Médicos distribui 1.753 profissionais para 626 municípios


O Mais Médicos tem como meta levar médicos para atuarem na atenção básica à saúde em regiões pobres do Brasil, em especial na periferia de grandes cidades e em municípios do interior.

— Muitos médicos se recusam a trabalhar 40 horas semanais. Por isso, avaliamos ser melhor termos dois médicos com carga de 20 horas do que um de 40 horas. Para fiscalizar as ações dos órgãos subordinados à Sesai, há um sistema de divulgação de escalas de profissionais da saúde no site da secretaria. O secretário diz que há, ainda, outras ferramentas que dão condições para a fiscalização dos serviços.


— Ao final de cada mês, a produção feita tem de ser apresentada, e as informações que nela constam [em geral, referentes a atividades feitas em localidades remotas] podem ser confirmadas por meio dos GPS instalados nos veículos. Uma alternativa é o Estado investir na formação de profissionais indígenas para saúde indígena, mas isso só será possível após muito debate e a definição de uma política articulada com o Ministério da Educação. 

Souza defende também que, tanto universidades públicas como privadas, promovam retorno social aos investimentos – e renúncias fiscais, no caso das privadas – feitos pelo Estado.

— O sistema de ensino público não é gratuito, mas financiado por meio dos impostos. Não são apenas as universidades públicas que são financiadas pelos impostos pagos pelos brasileiros. Há renúncia fiscal que beneficia as universidades privadas. Ou seja, o Estado investe, também, no estudante das universidades privadas. Mas não tem retorno social.

Ele lamenta o fato de as universidades não formarem “profissionais para a realidade”, apesar do financiamento dos cursos ser feito, direta ou indiretamente, por dinheiro público. Lamenta, ainda, as recentes campanhas feitas por profissionais da saúde contrários ao programa Mais Médicos.

— As campanhas são feitas por pessoas que não pensam no acesso do cidadão a profissionais de saúde. Precisamos de médicos nestas localidades até mesmo para definirmos qual é a estrutura necessária a uma boa prestação do serviço.

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